
Neste 18 de maio de 2026.
Foi dia de revelação nacional.
O Brasil inteiro acordou
com ansiedade de final de campeonato
e espírito de comentarista esportivo.
Era a convocação.
Hora de saberemos os escolhidos,
os abençoados da chuteira,
os carregadores oficiais
da esperança de mais de duzentos milhões.
Chega a Copa…
e o brasileiro vira técnico
da padaria ao grupo da família.
Todo mundo escala time,
menos quem realmente escala.
Tem tio pedindo veterano,
sobrinho querendo promessa,
e aquele amigo indignado
que assiste dois jogos por ano
mas já quer demitir o treinador.
Quando sai um nome inesperado,
o país inteiro congela.
Parece anúncio de Oscar,
resultado de vestibular
e julgamento do VAR ao mesmo tempo.
A pergunta volta sorrindo:
“Será que agora vem o hexa?”
E o coração responde rápido,
antes mesmo da razão:
“Claro que vem!”
Depois assistimos amistoso,
levamos susto na defesa,
criticamos o meio-campo
e já começamos a pesquisar
como funciona repescagem.
Confiar no técnico?
O brasileiro tenta.
Mas basta uma substituição estranha
pra metade da nação gritar:
“Eu faria melhor!”
E o mais bonito da Copa
é esse milagre nacional:
a política tira férias temporárias,
o debate perde volume
e nasce uma trégua improvável.
O vizinho que brigava por tudo
agora empresta a churrasqueira.
O grupo da família silencia as discussões
só pra discutir impedimento
com a seriedade de uma tese.
Na Copa, o Brasil vira um só.
Ou pelo menos tenta.
Porque quando a bola rola,
não existe esquerda, direita ou centro:
existe sofrimento coletivo.
Cada lance é um infarto patriótico.
Cada pênalti é terapia intensiva.
E cada gol brasileiro
faz desconhecidos se abraçarem
como parentes de infância.
Talvez sejamos campeões.
Talvez soframos de novo.
Talvez a esperança dure sete jogos
ou apenas até as quartas.
Mas ninguém desiste antes.
Porque ser brasileiro na Copa
é acreditar mesmo desacreditando,
é reclamar enquanto torce,
é sofrer sorrindo
e cantar mais alto depois do medo.
No fundo, o hexa já mora
na parte mais teimosa do país:
aquela que continua acreditando
que, apesar de tudo,
o Brasil ainda pode ser gigante.
(*) Leônidas Neto é professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica
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