Mergulho II

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(*) Brasilino da Silva

O morcego sem medo mergulha na escuridão da noite
A seu favor apenas o sensoriamento a indicar vielas
Becos; corredores enigmáticos a garantir boa viagem
Não enxerga direito apenas crê na sua ecolocalização
De seus caminhos da vida na vida que a vida lhe deu
Mergulha nos perigosos breus de cada uma das noites
Sempre à cata de um vão por onde possa atravessar
Comemora todas as vezes que o sucesso lhe abraça
De cabeça para baixo
Vidas de morcegos
Na escuridão da noite
Guincha para o horizonte
Para fazer seus caminhos

Ele também passava por caminhos de libações enigmáticas
Mas como aquele chiroptera contava com a sorte, cada dia
Para quem acredita toda sorte é irmã; em Fernando Mendes
E ambos iam; e tinham de ir, apesar dos perigos intrínsecos
Afinal tinham nascido para aquilo e não tinham como mudar
Uns dias melhores, outros bem arriscados, mas tinham de ir
Ambos contavam com enigmáticas ajudas de anjos celestiais
Eram poderosos anjos da guarda, em sinal acústico biossonar
190 chiados em um segundo e a interpretação precisa de um
Mergulhos cuidados do outro; os fizeram felizes para sempre
Nunca estavam sós nesta vida
Fitavam os lados do caminho
Paralelos foram encontrados
De vida boa perigosa vivida
Dos mergulhos em dias de glória.

(*) Brasilino José da Silva é poeta em Rondonópolis.

 

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