Máfia dos drones: Apreensões em presídios de MT chegam a quase 300 em quatro anos

Ações de inteligência e vigilância se intensificam para conter o uso da tecnologia pelo crime organizado para driblar a segurança

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(Foto: Sejus-MT)

A criatividade do crime organizado para burlar a segurança dos presídios de Mato Grosso encontrou, mais uma vez, a barreira da vigilância da Polícia Penal. Em dois episódios recentes, ocorridos em Rondonópolis e Cáceres, drones que tentavam entregar celulares e acessórios para detentos foram interceptados e abatidos, evidenciando uma tática cada vez mais recorrente e que desafia as forças de segurança.

Na manhã da última segunda-feira (25), em Cáceres, na região oeste do estado, a equipe de vigilância da unidade prisional local frustrou uma tentativa de entrega aérea. Os policiais penais em uma das guaritas avistaram um drone sobrevoando um dos raios do presídio.

Em uma ação rápida, conseguiram agarrar o fio que pendia do aparelho, fazendo com que ele fosse arremetido e ficasse enroscado na fiação de alta tensão. Foi necessário acionar a concessionária de energia para remover o equipamento em segurança, que carregava um pacote com um celular e acessórios.

No final de semana anterior, o alvo foi a Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, conhecida como “Mata Grande“, em Rondonópolis, um dos presídios que mais registra esse tipo de ocorrência.

Durante uma operação de campana no perímetro interno e externo da unidade, os agentes identificaram um drone sobrevoando o raio 3. A equipe conseguiu apreender o pacote que a aeronave deixou cair, contendo dois celulares com acessórios.

Em seguida, diligências foram realizadas em uma área de mata próxima, resultando na localização e apreensão do drone utilizado na ação.

 

(Foto – Assessoria)

Estatísticas alarmantes e a resposta do Estado

Os incidentes não são isolados. De acordo com um levantamento da área de inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sejus), o uso de drones pelo crime se consolidou como uma das principais estratégias para manter a comunicação e o comando de dentro para fora das grades.

Os números confirmam a tendência: apenas nos primeiros sete meses de 2025, 50 drones foram apreendidos sobrevoando unidades prisionais de Mato Grosso.

A maioria dessas interceptações ocorreu justamente na penitenciária da “Mata Grande“, em Rondonópolis, onde os aparelhos frequentemente carregam não apenas celulares, mas também fumo e outros itens proibidos.

Analisando um período mais longo, os dados são ainda mais expressivos. Entre 2021 e agosto de 2025, o sistema prisional do estado registrou a apreensão de 292 drones em áreas próximas às unidades.

Para o secretário de Estado de Justiça, Vitor Hugo Bruzulato, o aumento das interceptações é um reflexo direto do endurecimento dos procedimentos de segurança.

Segundo ele, com a intensificação das revistas e das operações ostensivas, os criminosos são forçados a buscar alternativas mais arriscadas para tentar fazer chegar materiais ilícitos aos presos.

“Foram intensificadas as operações de revista e as ações ostensivas para coibir a entrada e a permanência de materiais ilícitos em nossas unidades, conforme estamos trabalhando desde o início do Programa Tolerância Zero contra as Facções Criminosas”, assegurou o secretário.

A iniciativa, segundo o governo, visa sufocar a comunicação e a organização de grupos criminosos que atuam a partir dos presídios, e a vigilância contra o espaço aéreo se tornou um novo e crucial campo de batalha.

 

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