
A pior opressão, dolorosa aflição,
é ver a pessoa livre na escravidão.
Correntes invisíveis amarram seu ser;
um paradoxo cruel que não dá para compreender.
No corpo a liberdade, na alma a prisão,
como explicar tal contradição?
Oprimido pela vida, sem poder expressar,
um grito silencioso que não consegue ecoar.
A chama da angústia queima por dentro,
enquanto a liberdade navega contra o vento.
Oprimido pelos grilhões da falsa ilusão,
a pessoa chora em silenciosa solidão.
Quem dera quebrar as amarras invisíveis,
ser dono do próprio destino, sem mais senões.
Mas a opressão tece teias de ilusões,
e prende a pessoa em tramas ininteligíveis.
A pior opressão é aquela que aprisiona a mente,
que faz o escravo sentir livre no subconsciente.
E mesmo na ausência de correntes e algemas,
a pessoa livre sucumbe à opressão do sistema.
Para quebrar as correntes é preciso esforço ferrenho.
Conscientizar a todos a se unir e resistir com empenho.
Pois a pior opressão é a que parece não existir,
aquela que aprisiona e sufoca sem poder resistir.
Aquele em liberdade, na escravidão, eis o imbróglio.
Um verso melancólico, forjado sob opressão,
clamando por equidade, liberdade, igualdade,
almeja a verdadeira libertação, através da educação.
(*) Jorge Manoel é jornalista, professor, intérprete e poeta




Fascinante poesia que expõe a dolorosa contradição de se sentir mentalmente aprisionado enquanto fisicamente livre, destacando a opressão invisível que limita a verdadeira liberdade.