
Rondonópolis registrava 139 casos confirmados do novo coronavírus (covid-19) e um total de 245 casos suspeitos, até esta sexta-feira (22). Percebe-se que a doença começou a ter uma evolução maior a partir do dia 7 de maio.
Em meio a pandemia, a maioria do comércio tem cumprido as medidas para evitar a propagação da covid-19.
Por outro lado, muitos reclamam que a Prefeitura não tem fiscalizado a população a contento quanto às medidas protetivas em relação a doença.
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Para outros, o problema está nos bairros, onde o povo não tem feito a sua parte e vem fazendo reuniões/confraternizações e, consequentemente, causando aglomerações, o que não contribui para a diminuição dos casos.
Diante dessa situação, o A TRIBUNA ouviu diferentes setores da sociedade e fez o seguinte questionamento:
“Em relação a situação atual do novo coronavírus na nossa cidade, na sua opinião quem está falhando? E por quê? O comércio, a Prefeitura, a Polícia Militar (PM) ou a população?”
Confira a seguir o argumento de cada entrevistado:
Edson Ferreira, empresário:
“A minha opinião com relação a essa questão do coronavírus, eu como empresário eu vejo assim: as empresas precisam continuar abertas e a gente tem observado que as empresas estão seguindo todas as normas de segurança orientadas pelo Ministério da Saúde.
Então, vejo que a parte empresarial está fazendo o seu papel e elas precisam continuar abertas para poder gerar emprego, gerar economia para que as pessoas possam trabalhar e receber seus salários, e dar o sustento para as suas famílias.
Quanto ao Município, eu não tenho assistido televisão, mas eu não tenho ouvido muitas informações orientativas por parte do Município, principalmente no quesito estrutura do Município para atendimento da sociedade.
Então, eu queria ouvir do Município assim: ‘olha nós estamos disponibilizando tantos leitos em tal local. Temos um protocolo de atendimento. Esse protocolo é o mais convincente pela classe médica para o tratamento da Covid’.
Eu vejo que essa informação traria um pouco mais de tranquilidade para a população, traria um pouco mais de confiança da população e eu acho que o Município precisava informar melhor a população e realmente saber qual é a estrutura que o Município está deixando montada para um possível crescimento exponencial dessa pandemia.
Agora vir falar que tem dez leitos, 20 leitos, 30 leitos para uma população de 250 mil habitantes, isso para mim é balela.
Nós precisamos ter, pelo menos, uns 100 leitos preparados, prontos, organizados para atendimento de possíveis infectados. A gente sabe que tem bastante hotel disponível na cidade, então o Município podia aí alugar um, dois, três hotéis, colocar equipamentos de respiração, colocar todo o necessário para um atendimento da população. Esse é o meu sentimento.
Agora o comércio, o comerciante, a classe empresarial está fazendo a sua parte, falta o Município fazer a parte dela nesse quesito que eu acabei de falar”.
Érico Gundim de Morais, médico veterinário:
“No meu ponto de vista, a falha maior está na politização de uma situação que é médica e de saúde pública.
Para fortalecer essa politização foi massificado o pânico na população com total colaboração da mídia como, por exemplo, previsões catastróficas do Imperial College, de Londres, que chegou a prever para agosto mais de 1 milhão de mortes no Brasil. Isso é um absurdo!
E previsões como essa fomentaram a teoria do isolamento horizontal para enfrentar a doença e diminuir a mortalidade. Na realidade, o mundo está servindo de cobaia em se tratando desse modelo de que as pessoas têm que se isolar.
Outro equívoco é comparar realidades de outros países com o Brasil, sendo que até dentro do mesmo país tem realidades diferentes. Aliás, dentro de um mesmo estado, tem realidades diferentes.
Quanto aos setores envolvidos nessa pergunta, acho que o comércio e a população são vítimas do processo, vítimas do autoritarismo dos governantes, uma vez que o Supremo deu esse poder a prefeitos e governadores.
Ainda quanto à população, vale destacar que as pessoas da faixa de risco deveriam evitar ao máximo o contato com o vírus, ou seja, essas deveriam ser isoladas, o que sabemos que é utópico na nossa realidade.
Quanto aos demais, que são a base da força produtiva do país, que saiam para trabalhar e sigam as recomendações vigentes. Estes precisam, querendo ou não, buscar a tão desejada imunização natural ativa, já que até o momento não temos vacina”.
Nezir Ribeiro de Freitas, advogada aposentada:
“Sobre o coronavírus em Rondonópolis, tenho a seguinte observação: em se tratando de uma pandemia mundial, e pela atual estatística que temos em Rondonópolis, somos ainda privilegiados pelos casos existentes em comparação aos existentes pelo mundo afora.
Mas não é por isso que vamos baixar a guarda. Toda atenção é recomendada e válida.Digo isso pela estatística dos casos existentes na nossa cidade.
Casos estes que estão sendo acompanhados pela saúde pública e que não são desesperadores, mas não devemos baixar a guarda. A pandemia existe, é uma realidade, mas não a vejo como um caso de desespero e alarme.
A população, o Poder Público e demais órgãos responsáveis pela saúde pública, tem a obrigação de manter e tomar todos os cuidados necessários para o seu controle.
Precisamos dar continuidade no nosso dia a dia. É vida que segue, sem nos esquecermos dos cuidados e da prevenção”.
Wanderlan Barreto da Rosa, economista, mestre em Administração e professor:
“Eu sou do grupo de risco. Eu tenho trabalhado em casa. Saio muito pouco. Vou no mercado, na farmácia. Reuniões, eu tenho participado via plataforma Zoom.
As minhas aulas eu tenho ministrado a distância também. Eu vejo que a população tem feito a parte dela, porém, como sempre acontece, há os que não acreditam, que acham essa situação simples e fazem aglomerações e reuniões de amigos.
Se percebe que há pessoas que acham que estão em férias. Quanto ao comércio, este não pode parar, senão vamos ter um problema muito maior, que é a falência de empresas e o desemprego e, por consequência, muita dor.
O Comitê de Gestão de Crise está trabalhando, mas não se vê uma preocupação em administrar a estrutura de saúde (leitos de UTIs, número de respiradores e etc.), uma vez que Rondonópolis recebe pacientes da região. Então isso é preocupante.
Da PM, não se pode fazer nenhuma reclamação, não de minha parte. Eu tenho de elogiá-los. Eles estão fazendo a parte deles, atendendo as ocorrências, fazendo a segurança.
Então nisso tudo vejo que a população precisa assumir que ela é a grande descuidada e que vai ajudar a elevar a curva do contágio em Rondonópolis e é aí que entra a imprensa, as autoridades públicas, para acordar as pessoas e o poder público administrar o número de leitos e UTIs. Vamos nos cuidar!
Se cada um de nós admitir que todos somos frágeis podemos evitar muitas situações difíceis. Evitar muitas dores. Conscientização é tudo”.
Djanira Logrado, enfermeira sanitarista:
“Na minha opinião não há um culpado. Esta pandemia tem sua origem em um vírus e com vírus é difícil você contê-lo!
Vimos que ele veio de outro continente. Pensaríamos que não chegaria aqui, e chegou.
Não tem como evitar. Lógico que medidas de contenção e proteção individual são importantes. Precisa um pouco mais de atitude das pessoas! Porque todos sabem como se prevenir, está na mídia, nas entradas dos estabelecimentos e etc!
São medidas simples, sem custo. Mesmo assim trabalhar com vírus é difícil. Todos os profissionais da saúde sabem disso. Vírus é vírus! Veja o que enfrentamos com a Dengue.
Há muito tempo que não conseguimos diminuir os índices. O mosquito faz mutações difíceis de contê-lo. Vem com uma virulência absurda, capaz de matar! Precisamos de mais estudo, mais saneamento, moradias adequadas, lazer, conforto mínimo para as pessoas.
Porque as doenças têm um poder de virulência maior quando o sistema imunológico das pessoas estão fragilizados e sem uma alimentação adequada, sem qualidade de vida, qualquer doença é grave. O poder de agressão de qualquer doença é maior. Portanto, com a covid-19 não vai ser diferente.
Precisamos fortalecer nosso sistema imunológico. Cuidar da saúde e de outros fatores que estão nos fazendo adoecer. Todos nós podemos ser considerados responsáveis, mas nossa obrigação como cidadão é ajudar os administradores a nos ajudar!”
Alexandre Gusmão, professor universitário:
“A culpa é de parte da população que não cumpre com sua obrigação de manter o distanciamento, utilizar máscaras e de manter o isolamento quando está com os sintomas ou mesmo quando já está confirmado que tem covid-19.
Contudo, estas atitudes de minimizar os perigos do coronavírus são consequência direta da irresponsabilidade do presidente Bolsonaro, que trata esta severa enfermidade como gripezinha, como mentira e seus seguidores replicam-na, expondo a si, seus familiares e a sociedade a contrair esta moléstia e todo sofrimento decorrente.
Sem contar o trato desumano e bestial que o Bolsonaro impõe à sociedade que necessita do auxílio emergencial e fica a deriva em filas com mais de 200 pessoas diariamente em frente às agências da Caixa Econômica Federal esperando atendimento, quando poderia serem atendidas por outras agências bancárias e, até mesmo, pelas agências dos Correios”.




Pra mim, a falta de hospitais públicos,falta de equipamentos hospitalar ( utis, respiradores etc) são dos gestores políticos ( vereadores,prefeitos, governadores, deputados senadores e presidente) que durante esses 520 anos de Brasil, passaram pelo poder e 95% deles não investiram o dinheiro público da saúde na saúde. Infelizmente muitos investiram em seus bolsos. Se hoje no país pessoas estão morrendo por falta de equipamentos, com certeza ,culpa dos maus políticos.