Povo nas ruas: em busca da democracia plena

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OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o gênese da República proclamada em 1889, se instalou no Brasil o sistema presidencialista, e com ele pretendia se instaurar no nosso país um sistema democrático. Porém, na história do Brasil, passamos por vários momentos de rupturas democráticas, como a própria república do café com leite no início do século XX, onde as oligarquias de Minas Gerais e São Paulo dividiam o poder político no Brasil. Depois, tivemos outros governantes ditadores que de certa forma instituíam uma política ditatorial no país. Por fim, já no final do século XX, o golpe militar fez reinar outro tipo de poder totalmente antidemocrático, o chamado militarismo. Enfim, politicamente, nosso país obteve na sua história uma complexa variedade de políticos que implantaram governos arraigados numa ditadura, onde o povo não obtinha direito, mas sim, era mero cumpridor daquilo que o governo lhe outorgava.
Nesse novo milênio, já com a volta da democracia, o Brasil passou a ter governos com linhas neoliberais, que de sobremaneira abriram nosso mercado e nossa política para que acontecesse uma maior participação de todos. Nesse sentido, o povo passou a participar mais diretamente daquilo que lhe dizia respeito, principalmente no usufruto do voto, na escolha daquele que merece governar, gerando poder sobre a sociedade.
Porém, por mais que o sistema seja democrático, a nação brasileira passou ainda a ser explorada por um sistema econômico absoluto, onde existe uma concentração de renda e de direitos que, data venia, foram adquiridos na Carta Magna promulgada em 1988.  As áreas da  educação, saúde, segurança além de outras, devem ter recursos prioritários para o investimento público, de maneira que haja uma maior inserção de toda a comunidade nesses setores, tanto a nível quantitativo mas principalmente no qualitativo.
A escolha do Brasil para sediar uma Copa do Mundo e também uma Olimpíada, no caso a cidade do Rio de janeiro, colocou em xeque todas estas questões. O governo passou a construir grandes estádios, arenas e complexos esportivos e também a dotar cidades de infraestrutura de transportes e outros setores, cujo volume de investimento chegará à casa de R$ 30 bilhões de reais. É um valor exorbitante que entra em disparidade quando comparado ao que o governo investe na saúde, na educação, na segurança pública e na distribuição de renda.
O trabalhador do Brasil, que é a imensa maioria, não suportou mais, e nas últimas semanas passou a fazer caminhadas e manifestações por muitas cidades e grandes capitais do Brasil. Esses protestos vêm de encontro com os anseios de toda uma população que não suporta mais esta ditadura oculta. A sociedade brasileira clama por justiça e respeito, além daquilo que se mostra mais importante que é a dignidade, que pouco a pouco vem lhe sendo facultada. Os atos e manifestos citadinos ocorrem por todo o Brasil, contra a enorme carga tributária existente e também contra esta rede de corrupção que existe em nossa política partidária, e que concentra ainda mais a renda. O Brasil está entre as sete maiores economias do mundo, porém seu PIB, sua riqueza, não é igualitariamente distribuída à sua população.
Porém, o exercício da cidadania somente tem caráter legítimo quando praticado com consciência. No entanto, muito além de agrupamento de pessoas, lutando por suas ideias, direitos, reivindicações e questões políticas, sociais, é importante dizer também que com certeza não adianta NADA aumentar quantitativamente a adesão a esse ou aquele movimento reivindicador, se continuarmos a aplaudir em nosso comodismo as antigas práticas que historicamente nos é peculiar, negligenciando erros, elegendo os mesmos políticos, sendo conivente com aquilo que nos é favorável e a outros não.
É preciso abrir mão da estupidez, das hipocrisias e termos consciência de que a mudança que queremos ter tem que começar em nós! No ano que vem, com as eleições gerais, poderemos dar uma boa resposta, nas urnas, a esse emaranhado de corruptos e golpistas do colarinho branco que, infelizmente, denigrem a política brasileira, transformando-a em politicalha, discriminando povos, disseminando a pobreza e a injustiça em um país tão rico e com uma sociedade tão ordeira como a que temos aqui no nosso Brasil. Avante Brasil! Democracia plena! Saúde, educação e segurança a todos nós!

(*) Reuber Teles Medeiros é servidor público em Rondonópolis

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