Policial civil se defende de acusação de médico

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O policial civil Ademar de Morais Bertolino, 36 anos, lotado na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, acusado de agressão durante um acidente de trânsito pelo médico Cleo Renato Santos de Campos, 66 anos, procurou o jornal A TRIBUNA para se defender das acusações e apresentar a sua versão para o ocorrido. Ele estava acompanhado do advogado Edno Damasceno de Farias e da presidente local do Sindicato dos Investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso (Siagespoc-MT), Zilene Leal da Silva.
Conforme o policial, no dia do fato, 6 de agosto, o médico Cleo Renato o teria ‘fechado’ no trânsito por duas vezes  quando pilotava sua moto, pela Rua Pedro Ferrer,  com a esposa na garupa.
“Ele me jogou para a esquerda. Antes de chegar na Frei Servácio entrou em outra rua sem sinalizar e com isso tive que freiar a motocicleta, mas ainda acabei colidindo de frente com a roda traseira do veículo do médico. Após isso, eu e minha esposa caímos da moto no asfalto. Depois de levantar e ajudar a minha esposa a sair debaixo da moto, percebi que o condutor do carro não havia parado. Então fui atrás dele, quando o mesmo não conseguiu continuar fugindo porque uma charrete o atrapalhou”, disse o policial.
De acordo com Ademar Bertolino, quando ele conseguiu alcançar o médico, o mesmo se apresentou agressivo e exaltado. “O médico me disse que eu teria batido na traseira do carro dele, mas eu lhe disse que teria batido na roda. Após este primeiro diálogo, o médico veio para cima de mim e eu me defendi com o capacete. Nessa ação, ele alega que foi lesionado em um dos braços e eu também no braço direito. A agressão com o capacete foi uma forma de defesa. O médico já desceu do carro cheio de razão, me acusando de ter batido na traseira do carro dele e já veio para me agredir”, conta Ademar Bertolino.
O policial também se defende da acusação de ter sacado uma arma para o médico. “Nunca aconteceu de ter sacado uma arma contra ele e minha esposa ter agido para evitar o pior. Isso não é verdade. Minha mulher ficou de longe, embaixo de uma árvore, pedindo para eu retirar a moto da rua porque estava atrapalhando o trânsito”, afirma.
Conforme o policial, ele não possui índole de uma pessoa violenta e trabalha na Polícia Civil há cinco anos sem histórico de agressão. “Minha conduta é impar. Quero colocar que este senhor, além de ser omisso e causador do acidente, ainda está levantando calúnia em desfavor do meu nome e da instituição Polícia Civil. Já tenho amparo do sindicato e advogado e, com auxílio deles, quero que este fato seja esclarecido, uma vez que esta acusação do médico trouxe prejuízos à minha família. Minha esposa, que está lutando contra depressão pós-parto, ficou muito abalada com a situação e agora com esta notícia”, declara o policial.
Em sua defesa, o policial ainda afirma que após o acidente ligou para a Polícia Militar, mas o médico não esperou a polícia chegar para registrar a ocorrência. “Ele entrou no veículo e foi embora. Antes disso, não perguntou a mim e nem à minha esposa se estávamos bem. Bati o tórax na moto e estou com dores”, revelou.
A presidente local do Siagespoc, Zilene Leal, declarou que se preocupa com o zelo do nome da instituição Polícia Civil. “Diante desta notícia caluniosa, é dever do sindicato fazer com que a verdade apareça. Faremos de tudo para que este ocorrido seja esclarecido da melhor maneira possível”, disse a sindicalista.
O advogado Edno Damasceno considera que houve várias inverdades na fala do médico à imprensa. “Uma delas foi que o médico alegou que o nome do policial não era Ademar, quando na verdade é, uma vez que ele não omitiu o nome como declarado. Meu cliente nunca tentou fugir da situação e da verdade”, fala o advogado.
Ele explica que quem faz acusações é que tem que provar. “O médico tem que provar que foi agredido e que o meu cliente apresentou arma para ele. Não conseguindo provar isso, é cabível mover representação por calúnia, injúria e abalo à moral do meu cliente. Acredito que quando a Justiça demonstrar a ausência de culpa de Ademar Bertolino, serão tomadas medidas reparatórias”, externa o advogado.
No dia do ocorrido, o policial registrou um boletim de ocorrência sobre o caso. Um segundo BO foi registrado ontem acusando o médico Cleo Renato de calúnia em relação à denúncia publicada na edição de ontem do jornal A TRIBUNA.
ENTENDA O CASO
Dr. Cleo, conforme foi noticiado ontem por esse jornal, declarou ao Ministério Público que no dia 6 de agosto, por volta das 7 horas, trafegava com seu veículo Corola pela Rua José Barriga e, uma esquina antes da Avenida Frei Servácio, uma motocicleta, de cor preta, bateu na parte de trás do Corola.
Após a batida, o médico teria descido do carro para ver o que estava acontecendo. Momento em que, segundo ele, o condutor da moto foi em sua direção proferindo xingamentos. Em seguida, conforme a denúncia, deu três golpes de capacete no braço do médico, causando uma fratura no cotovelo do braço esquerdo. “Com os golpes, eu cai no chão e o condutor da motocicleta tirou uma arma de fogo da  cintura e apontou em minha direção. Não tive nem chance de diálogo. Neste momento, a esposa do condutor que estava na garupa da moto na hora da colisão, interveio e abaixou a mão do policial, impedindo que ele atirasse”, relata o médico na denúncia e que agora está sendo contestada.

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