Descrença e pessimismo cercaram o retorno de Ronaldinho Gaúcho ao futebol brasileiro. Críticos e torcedores tinham na memória o jogador desinteressado e desgastado pela vida noturna que pouco fez no Milan e parecia em irreversível declínio. Mas, na última quarta-feira, o camisa 10 do Flamengo fez jus ao título de duas vezes melhor do mundo.
Com uma atuação histórica, liderou sua equipe a uma virada improvável por 5 a 4 sobre o Santos, depois de estar em desvantagem de 3 a 0. E o Campeonato Brasileiro tem sido palco de boas apresentações do craque, algumas destacadas. A torcida, que chegou a vaiar o craque no período de quatro empates consecutivos do Flamengo, quando suas noitadas ganhavam mais destaque que as gingas com a bola, mostrou que tem nele seu grande ídolo quando corresponde em campo.
No desembarque da delegação no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, nesta quinta, euforia e emoção de mais de 100 torcedores. Fotógrafos caindo ao chão, o astro cercado por microfones e câmeras e gritos de apoio. Parecia conquista de título. “É muita alegria. Flamengo é Flamengo. É lindo”, vibrava Ronaldinho.
O momento é realmente para se celebrar. O meia começa a reconquistar os incrédulos e seus gols e assistências levam alguns especialistas a cogitar o impensável no início do ano: uma nova convocação para a seleção brasileira. Os números suportam o pleito. Os oito gols marcados até agora no campeonato o colocam na liderança isolada da tábua de artilheiros.
Muitos no Flamengo creditam ao técnico Vanderlei Luxemburgo o crescimento de Ronaldinho. Não tanto por questões táticas, mas pelas cobranças que tem feito ao capitão rubro-negro sobre suas responsabilidades em campo e suas possibilidades de voltar a ser lembrado pelo técnico Mano Menezes. Com o maior número de partidas, rarearam as folgas e aumentaram os treinamentos e, principalmente, os dias de concentração, que o tiram das madrugadas cariocas. “O importante é que eu estou de bem com a torcida e a torcida está de bem comigo”, disse o craque.
Certamente ninguém espera por uma atuação de antologia como na vitória sobre o Santos todas as noites, mas se mantiver a condição de principal jogador do Flamengo com gols e apresentações destacadas, a pergunta só vai crescer em coro: E aí, Mano, não está na hora de uma nova chance?



