Que Brasil queremos para o presente, em época de “Independência”

(*) Ney Iared Reynaldo

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Senhores leitores, a História Crítica, busca respostas às questões como: A independência seria resultado de acontecimentos de um único dia? Ou resultado de um processo histórico? D. Pedro foi o único agente responsável pela independência brasileira? Qual o benefício ou motivo de libertar o país de Portugal, mas continua sob tutela dinástica Bragança portuguesa? Independência é sinônimo de liberdade? Essa liberdade alcançou a todos no Brasil? E se D. Pedro não tivesse proclamado a independência do Brasil, outros a fariam? Porque o Brasil pra conquistar seu reconhecimento de independente teve que subjugar a outros países? Será que o Brasil que queremos terá que esperar pelo futuro?”

As perguntas como essas ainda pairam nas universidades, nas escolas e na sociedade civil organizada, isso é que torna a História uma ciência comprometida com a realidade nacional, e sua constante transformação. As transformações ocorridas no Brasil, desde aquela tarde de Sete de Setembro de 1822, foram diversas, direitos foram conquistados, lutas foram vencidas, mas há ainda muito que se conquistar e lutas para vencer. Tínhamos um Brasil no século XIX, escravocrata, agrário, latifundiário, hierárquico, elitista, conservador e monárquico; tínhamos um Brasil no século XX, liberal e opressor, democrático, burocrático e ditador, rico e miserável e agora no século XXI, o que queremos é um novo Brasil, mas sem ter que esperar pelo futuro.

Infelizmente, estamos longe de sermos um Brasil desenvolvido, pois temos um país que não cuida das suas crianças; temos um país que ignora seus idosos, suas mulheres e discrimina os negros, índios, homossexuais e etc… O que queremos agora é um país cidadão, que privilegia seu povo, mais crianças felizes, na escola e aprendendo, mais respeito àqueles que solidificaram nossa nação através de anos de trabalho; assim como respeito a nossa natureza, pois, teus risonhos, lindos campos, tinham mais flores; hoje esses mesmos campos não florescem mais, seu céu poluído e suas matas destruídas, sua água contaminada e seus animais atropelados. Queremos mais vida para nossos bosques, uma exploração sustentável para nossa natureza, defesa dos nossos ricos e belos recursos naturais.

O que queremos nesse momento é mais atitude do que discurso. Valorização cultural, para ter assim um povo menos alienado, jovens conscientes e menos analfabetos funcionais, respeito ao patrimônio cultural brasileiro, sem incêndios em nossos museus, abandono as nossas bibliotecas e descasos aos nossos arquivos. O povo heroico, brasileiro, trabalhador e pagador de seus impostos, especialmente aqueles que acordam cedo para ir ao trabalho, muitas às vezes mal remunerado, falta um bom sistema de transporte público, sem a certeza se voltará vivo para casa, sem ser assaltado ou coisa pior, o sistema de saúde não o atende como deveria. Queremos um Brasil com mais respeito ao seu povo, salários que condizem com a realidade diária, que a paz supere a violência, que a corrupção seja um mal extirpado, para que a população seja bem atendida em seus direitos.

Enfim, não dá pra esperar pelo futuro, o trabalhador precisa de trabalho hoje; o povo precisa de saúde hoje; o cidadão precisa de segurança hoje; o Brasil precisa ser independente hoje, pois queremos uma educação em curto prazo, que insista na vontade de estar sempre em busca de um país melhor, falamos hoje em Independência, que, em alguns casos é sinônimo de liberdade, por isso, existe um clamor pela quebra dos grilhões da ignorância; do preconceito; da violência; dentre outros, que aprisionam o povo brasileiro. Uma educação que leve as pessoas a se conhecerem melhor, que tenha memória presente de tudo que aconteceu de errado e ainda acontece hoje, na política e na economia de seu país, acredito que não adianta ficar em “berço esplêndido” esperando uma intervenção divina, precisa assumir suas responsabilidades no presente, para planejar o futuro. Por essas e outras que a Educação é o caminho para transformar o Brasil em algo mais que o país do futuro, mas sim no país do presente, pois “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

(*) Ney Iared Reynaldo, doutor em História da América, docente dos cursos de História e Ciências Econômicas/ICHS/UFR, e-mail [email protected]

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns amigo e colega prof. Dr. Ney Iared Reynaldo pela eloquência de belo texto e pela oportuna discussão acerca da “Independência” de nosso País! Concordo em grau, número e gênero com tudo o que você escreveu neste texto esclarecedor e crítico. Também sou partidário de que a Educação é o caminho para que possamos transformar esse país é um lugar para todos com qualidade de vida ambiental, social, ética, cultural onde há respeito pelas adversidades. Se buscarmos nas reminiscências da História da Educação veremos que a mesma sempre esteve atrelada ao poder e para manter o “status quo” de uma elite dominante, no entanto, ela também pode vir a ser a mola propulsora das transformações sociais de nosso país e para que isto aconteça é necessário termos uma Educação séria e comprometida com a qualidade da aprendizagem de seus educandos. Volto a dizer, um belo texto para muitas reflexões! Abraços amigo!
    Aires José Pereira é escritor com 15 livros publicados, prof. Dr. do Departamento de Geografia da UFMT – Campus de Rondonópolis, Membro pesquisador do NURBA, GEGATO, membro efetivo da Academia de Letras de Araguaína e Norte Tocantinense e coautor do Hino Oficial de Rondonópolis, possuindo doutorado em Geografia Urbana pela UFU, Mestrado em Planejamento urbano pela FAU-UnB, especialização e graduação em pela UFMT – Campus de Rondonópolis.

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