Sempre gostei de ouvir histórias. Certa vez, meu pai me contou sobre um antigo cemitério de nossa cidade, o qual era palco de acontecimentos inusitados. Este cemitério deixou de existir, pois foi transformado em uma praça denominada “Praça da Saudade”.
Neste cemitério, havia um túmulo, dentre outros, que despertava muito a atenção, pois neste lugar estava enterrado um japonês e era costume de seus familiares oferecerem como homenagem ao seu ancestral uma espécie de ritual.
Em meados do mês de julho ou agosto, no aniversário do falecido e no período de inverno, o túmulo era limpo e em cima dele, era servida uma alimentação especial, adornada de velas e incensos. Os familiares realizavam ali uma cerimônia com cânticos e oração. Após tal reverência retornavam para suas casas.
O olhar atento de meu pai, nesta ocasião ainda criança, viu que uma família, que morava do outro lado da rua, assistia atenta toda a situação. Com o distanciamento dos japoneses, mais que depressa mãe, pai e filhos atravessaram a rua e foram depressa junto ao túmulo em que a ceia estava posta e saborearam toda aquela refeição. A partir de então, aquela família passou a aguardar aquela refeição especial!
(*) Tatiane Amorim Gonçalves, acadêmica do 4º ano de Letras Português da UFMT



