Afeto e amor no galope do sonho

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PAPAYA

Desde sexta-feira, dia 7 de novembro, que entrei em uma espécie de anestesia temporal. Não sei explicar muito bem esse tipo de coisa que acontece comigo e, por instantes ou dias, me tira um pouco fora do ar.
Sabe quando você está assistindo televisão, aquele seu programa preferido, e que começa a chuviscar, a tela some… Nesse instante, o que provavelmente durariam segundos ou milésimos de segundos, para você parece uma eternidade. E, assim, prossegui também no sábado.
Entretanto, logo cedo, encontrei uma pessoa admirável, muito especial para mim, uma espécie rara de humano, daquele que sabe a palavra exata e mui apropriada para as diversas situações e emoções. Falo da minha amiga Sonia Maria Antunes, que me inspira afeto, colo, amor e pão de mel.
Ao encontra-la, nos saudamos com um bom dia e beijo, logo, ela olhou em meus olhos e disse com muita convicção: – Sorria e fale com firmeza o bom dia. Apenas seres especiais, com missão divina de acalmar a alma e abrilhantar um lindo sorriso no rosto das pessoas que a cercam tem este poder/dom/sabedoria. Ela é a própria luz com a doçura imensa de seu coração.
E o sábado, um tanto que atípico, devido aos problemas que tivemos com nossas principais agências bancárias, bem à época de receber o salário e pagar as contas mensais. Portanto, parte da minha anestésica manhã de sábado ficou nas filas dos caixas eletrônicos tentando colocar ao menos uma parte de mim na ordem do dia. Para isso, contei com a generosidade de Sr. Barros, irmão da sempre competente e, hoje, aposentada da UFMT, a professora-doutora Nanci Barros, do Departamento de Educação do Campus de Rondonópolis.
Parte dos compromissos financeiros em ordem. Próximo passo: passar na farmácia para medicar os males do corpo físico, já, um tanto que cansado das labutas diárias e insistindo em deflagrar os anos vividos.
Agora, restava-me para concluir a agenda matutina decidir o alimento do corpo, porque o da alma embora não evidenciados e apesar de não expor aqui, já se faz ato constante, mas não repetitivo no sentido mecânico do termo, porque deve ser uma ação, um movimento de reflexão/introspecção entre o Ser Supremo e você. Não cabe mais ninguém.
A manhã findou-se com uma breve chuva, o céu fechado e um prenúncio de temporal, que não chegou. Penso que o temporal estava mesmo era dentro de mim. E, assim fiquei: assistindo filmes e ouvindo músicas. Parei um longo tempo curtindo Milionário e Zé Rico (Estrada da Vida: “Nós devemos/Ser o que somos/Ter aquilo que bem merecer…”);
Na trilha sonora bem sertaneja, o som mais puro do povo brasileiro, inclui: Viva a Vida – esta me fez lembrar tanto de meu pai. Ele amava viver a vida. Era cheio de energia boa, alegria contagiante, sempre penso que ele seria eterno. De alguma forma, ainda o é, pois, está eternizado em meu coração e de suas outras meninas.
A noite chegou de mansinho o que não contribuiu em nada para não deixar as lembranças tristes se aflorarem. Então, melhor mudar o foco. Fui colocar minha conversa em dia como meu compadre de alma, meu querido Patrício Araújo Duarte (este me entende tão bem e eu a ele). Também aproveitei para zapear, navegar pela internet, ler alguns e-mails, assistir uns vídeos, tentar discutir política, desenvolvimento econômico, agroecologia, ciência, estigmas, preconceitos, discriminações, o humano no complexo processo de evolução. Aí que canseira! E, a madrugada chegou sem que percebesse.
Todavia, minhas inquietações continuaram a perseguir-me: Não teve jeito. Era impossível lutar com um sentimento tão forte. É muito mais forte do que eu a lembrança daquele trágico 08/11/1986.
Contive as lágrimas, lutei, respirei fundo, mas, me apropriando da canção “Quanta saudade”, ainda da trilha sonora de Milionário e Zé Rico, pai, só posso dizer que: – sem você aqui, meu mundo é vazio. Não vou reproduzir que “é só solidão”, porque estaria sendo injusta com tanta gente boa e tantos anjos maravilhosos que você, daí de cima, com seu jeitinho de baiano arretado, com muito chamego, deve ter pedido a Deus para enviar a terra para cuidar de suas meninas. Posso e devo afirmar-lhe com convicção: eles foram essenciais. Minha mãe e nossa Lu fazem tudo que podem para me ver feliz. Do nosso jeito, estamos tentando e vamos continuar tentando, até um dia…
Milionário e Zé Rico, minha querida Sonia Antunes e você sempre têm razão: “Só o amor vale tudo na vida / Só o amor é a inspiração / Sem amor a esperança é perdida…” e por amor, escrevo estas linhas carregadas de emoção e de saudades.
Quer saber: Você foi especial demais. Foi um pai exemplar, muito amoroso e dedicado à sua família. Não tenho e não quero ter nada a esquecer. Quero, tão somente, afeto e açúcar para adoçar e alegrar meus dias sem você, além e tão somente do seu sorriso para me acalmar. Até breve! E Viva a Vida. Esta que Você, melhor do que qualquer outro, neste mundo, soube viver e saborear com paixão, muito dendê e bastante pimenta malagueta, a sua preferida. Nossa família viveu uma linda e rica história de amor com todos os ingredientes indispensáveis a uma impecável trama dos romances de Jorge Amado com trilha sonora de Dorival Caymmi. Então: um brinde à Vida!

(*) EDILEUSA REGINA PENA DA SILVA – jornalista, relações públicas, professora universitária [email protected]

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  1. Penso Edileusa, que ele esta bem e que DEUS o colocou em um bom lugar. Infelizmente, por obras de forças que estão acima de nós, nem tudo segue o rumo que desejamos. Sei que dói muito perder alguém que amamos,porque também perdi meu pai e irmão,Todavia O nosso Pai Celestial esta sempre olhando para cada um de nós.

    A gente precisa sentir que a vida é importante, que é preciso haver fantasia para poder viver um pouco melhor.

    Oscar Niemeyer

  2. Minha amiga Edileusa: você escreve maravilhosamente bem sobre qualquer assunto, mas lhe peço, encarecidamente, que deixe de ter pena si mesma. Arregace as mangas e vamos à luta, pois é isso que eu espero de você, minha amiga baiana “arretada”, pois sua garra e determinação são o cimento do dia a dia. Um grande e fraterno abraço.

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