Nota de esclarecimento à sociedade matogrossense

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O Hospital e o Centro de Atenção Psicossocial Paulo de Tarso (CAPS) tem como gestora a Associação Espírita Beneficente Paulo de Tarso. No CAPS o trabalho é realizado por uma equipe multiprofissional e tem como objetivo reintegrar os pacientes pós-alta ao seu convívio familiar e social, chegando a atender 270 pacientes/mês dividido em regime de intensivos, semi-intensivos e não intensivos. Por outro lado, ocupamos o espaço como único Hospital no Estado de Mato Grosso  para internações psiquiátricas e com 82 leitos geramos  aproximadamente 900 internações/ano, sempre obedecendo o rígido critério de não termos pacientes moradores seguindo as atuais orientações da psiquiatria. Em relação aos internos, 64% são oriundos da rede básica de Rondonópolis e 36% de outros municípios.
Para atender o atual foco do Ministério da Saúde 48% das nossas internações são de dependentes químicos. Esta Instituição  é uma prestadora de serviços 100% SUS, e como tal recebe da Federação por cada internação/dia (AIH) o valor de R$ 43,75 para cobrir todas as despesas de hotelaria completa,  medicamentos e uma longa folha de  pagamento dos recursos humanos, lembrando que alguns pacientes necessitam também  de vestuário e material de higiene pessoal. Portanto, para mantermos esta Instituição em atividade tivemos sempre que contar com a  colaboração do poder público Municipal, Estadual e do Consórcio de Saúde (CORESS), caso contrário, teria ocorrido com o Paulo de Tarso o que aconteceu com os hospitais Samaritano, São Marcos, São  José, Maternidade Nossa Senhora das Graças, Maternidade Marechal Rondon, Cardiomater, Clínica São Lucas, que mesmo atendendo o SUS e outros convênios tiveram que encerrar as  suas atividades.

Em 2011, nos foi proposto um convênio/contratualização, que substituiu os preexistentes com a Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde  e CORESS, gerando um único, ou seja a contratualização. Para melhor atendimento aos usuários do SUS novas adequações  e metas foram solicitadas e o cumprimento destas condiciona o recebimento integral do convênio, o que nos levou a um aumento importante  nas nossas despesas operacionais  e de conformidade com o nosso balanço anual do exercício 2012 ficou assim representado: Receita R$ 3.327.720,39, Despesas Operacionais R$ 3.329.726,57, porém, em 2013, fomos ainda surpreendidos com um corte por parte deste convênio no valor de R$ 35.000,00/mês que juntamente com as novas despesas de reajustes salariais, chegamos a um déficit de aproximadamente R$ 60.000,00/mês, o equivalente a R$ 720.000,00 para o ano de 2013. Ressaltamos  que necessitamos de reajuste na receita     e não nos permitimos qualquer redução da mesma,   do contrário, esta Instituição corre sério risco de fechar, prejudicando com isto os usuários do SUS com transtorno mental, dependentes químicos e o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

Para finalizarmos, lembramos da recente audiência pública realizada para decidir sobre internação compulsória na dependência química; interrogamos aos nossos políticos  onde pretendem realiza-las, principalmente por se tratar de pacientes em crise e em início de  tratamento, o que inevitavelmente necessitaria de uma Instituição preparada com equipe multiprofissional.
Então?! Se não tivermos mais o Paulo de Tarso internar onde, senhores gestores?…

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1 COMENTÁRIO

  1. É por isso que precisamos urgentemente fortalecer os serviços substitutivos. O SUS já tem proposta para solucionar esses problemas, mas os gestores se negam a perceber que, a longo prazo, as verbas para internações serão cada vez mais escassas. A Reforma Psiquiátrica que se instalou no país, é definitiva. Internações são caras e de pouca resolutividade. As pessoas são internadas 30, 40 vezes e suas vidas permanecem as mesmas. As mudanças só ocorrerão quando nos conscientizarmo-nos enquanto sociedade que o cuidado a essas pessoas tem de ser efetivo, contínuo, em meio aberto, no seu território de vida, incluindo a família, a comunidade e uma equipe multidisciplinar que funcione de forma interdisciplinar. É preciso mudar projetos de vida e isso não se faz somente com uma internação… Em crises, às vezes são necessárias, mas somente por pcos dias, depois, é preciso investir em uma mudança profunda. Já há legislação e diretrizes nacionais para a Saúde Mental e a própria política nacional sobre drogas já afirma a ênfase que deve ser dada à Redução de Danos e aos trabalhos dos CAPS.

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