Fátima Dalava –
Penumbra no quarto. Um ambiente sinistro. Uma cama pequena, lençol surrado, manta de retalhos quase se soltando. Na parede de madeira envelhecida pelo tempo, uma moldura corroída. Nela, uma foto de um casal vestido de noivos, sorrindo. No canto, uma mesa em forma de triângulo, três pernas, a imagem mostrava que faltava algo.
Sobre a mesa um vaso de barro com flores de tecido quase sem cor. Teias de aranha sobre elas se alojavam. No caminhar pelo quarto, barulho vindo do assoalho de madeira apodrecida pelos anos. O barulho reconhecia aqueles passos… Um dia, alguém construiu aquilo e abandonou. O tempo, por sua vez, não parou, foi criando o próprio cenário.
Apesar do abandono, ali, permanecia uma linda história. Aquele lugar era repleto de vida, apesar de sua aparência morta, apesar da imagem triste, era um ambiente familiar. Aqueles dois jovens vestidos de noivos, felizes, sorrindo, na foto amarelada pelo tempo, quem seriam?
Um barulho do vento, uma porteira batendo fortemente lá fora. Em pensamentos alguém respondia, que o destino me levou para aquele esquecido lugar, para provar que não preciso mais chorar, pois um dia, em uma outra vida, com um grande amor subi ao altar.
(*) Fátima Dalava é escritora e poeta em Rondonópolis



