
830 milhões foi o custo a mais na comercialização e logística com o escoamento da safra 2012/2013 de soja, milho, algodão e carne em Mato Grosso, segundo cálculo do Imea/Famato, apenas nos primeiros cinco meses de 2013. Equivalente a 85% do valor gasto a mais pelos produtores do Centro Oeste: 975 milhões de reais, a partir do custo de frete com exportação, destinadas aos portos do sul do país. De acordo com o Instituto este valor a mais seria suficiente para asfaltar mais de 500 km de rodovias, desafogando o gargalo da logística no estado.
Com o aumento da área de plantio e consequentemente do volume de produção a ser escoado através das estradas mato-grossenses, este valor deve dobrar até o final do ano, de acordo com Rui Prado, reempossado presidente da Famato – Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, por ocasião do lançamento, na terça-feira (18), da Bienal dos Negócios da Agricultura, que será realizada em Cuiabá, nos dias 8 e 9 de agosto próximo.
Foco principal da Bienal da Agricultura 2013, que retorna ao Mato Grosso, a questão da logística não representa o único problema dos produtores rurais a ser debatido no evento. Merecerá uma atenção especial o Fethab, que entra na berlinda da Bienal, através da Famato, que quer saber a destinação do imposto recolhido pelo Governo do Estado. Prado, da Famato, lembra que o Fethab foi criado para financiar prioritariamente a ampliação da malha viária estadual e a construção de moradias populares.
A Famato denuncia o desvirtuamento, pelo Governo, da aplicação dos recursos que, hoje, lastreiam pagamentos, da folha de pagamentos até investimentos em obras relativas à Copa do Mundo em Cuiabá, deixando a descoberto objetivos prioritários, especialmente em estradas para escoamento da produção estadual, aumentando em quase 1 bi o custo de retirada da safra pelos produtores rurais e, comprometendo a remuneração deste produtor, num momento em que as circunstâncias do mercado nacional e internacional é propícia para recomposição da capacidade de poupança e investimento do produtor.
Outro tema a ser discutido exaustivamente na Bienal 2013 será o apagão de mão-de-obra para a produção rural que se avizinha; De acordo com projeção do Imea / Famato, Mato Grosso deverá garantir a qualificação profissional de, no mínimo, 1 milhão de trabalhadores do campo, sob pena de abrir espaço para um apagão de mão-de-obra, comprometendo seriamente o volume ascendente de produção de grãos, algodão e carne no estado, com sérias consequências na previsão de desenvolvimento da economia estadual.
Segundo Rui Prado: “atualmente o sistema qualifica cerca de 450 mil trabalhadores rurais, ao ano, através do sistema Senar. É pouco. O déficit de mão-de-obra capacitada, para o setor rural, já é uma realidade e, a tendência é aumentar, comprometendo os resultados da produção rural no estado. Hoje já temos máquinas agrícolas, de alta tecnologia, paradas nas propriedades, por falta de profissionais qualificados. A tendência, se o problema não for resolvido à médio prazo, é aprofundar este apagão anunciado. Salários de 2 a 3.5 mil reais já estão disponíveis para operadores especializados e, ainda assim, estes profissionais não são encontrados. O setor da produção rural gera cerca de 800 mil empregos diretos no campo e outro tanto em postos de trabalho indiretos. Com o aumento previsto para a produção, estes números tendem a aprofundar o apagão, já a curto prazo”, afirmou o presidente da Famato.



