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, 14 junho 2024
 
 

Série Pioneiros: “Era um poeirão danado! Mesmo assim, dava gosto de viver em Rondonópolis”, lembra o pioneiro Waldivino Alves

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Waldivino Alves na redação do A TRIBUNA: “amigos é o que mais fiz em Rondonópolis ao longo de todos esses anos”

Goiano de Itumbiara, o ex-vereador Waldivino Alves, que completou 90 anos no último dia 24 de maio, chegou em Rondonópolis em 10 de maio de 1963, onde fincou raízes e hoje é o personagem da reportagem especial da “Série Pioneiros”, por onde ao longo dos anos o A TRIBUNA vem registrando nas suas páginas a história das pessoas que ajudaram a construir esta rica cidade.

Casado com Irene Gonçalves Alves, desde os 20 anos de idade, Waldivino veio para Rondonópolis, com a única filha do casal, Neiri Márcia Alves dos Santos, ainda pequena, em busca de uma “vida melhor”.

Antes de vir para Rondonópolis, ainda na cidade goiana, ele conta que começou a trabalhar com 12 anos de idade em uma loja de tecidos para ajudar no sustento da sua família, que era bastante humilde.

“Aos nove anos perdi meu pai. A minha mãe ficou viúva com cinco filhos e a gente era bastante humilde. Então, comecei a trabalhar aos 12 anos como empregado de uma loja de tecidos, onde fiquei até o meu casamento, quando tinha 20 anos”.

Depois disso, ele abriu um pequeno “armazém” na cidade goiana, que ele “tocou” por oito anos. Nesta época, Rondonópolis era uma grande produtora de arroz, onde ele vinha comprar o produto para despachar para a sua cidade natal.

O diretor do A TRIBUNA, Samuel Logrado, conviveu muitos anos com o Waldivino no Rotary Club Rondonópolis Leste

Vinda para Roo

Numa destas vindas, ele recebeu o convite de Oswaldo Ferreira de Assis para vir morar em Rondonópolis, para trabalhar com beneficiamento e comercialização de arroz. “Eu recebi uma oferta de vir para montar em sociedade uma firma em Rondonópolis, onde a gente via que tinha um futuro promissor”.

Assim surgiu a Mercantil Assis LTDA, que trabalhava com a venda de arroz beneficiado para São Paulo e Rio de Janeiro. “O nosso barracão funcionava ali onde hoje é o estacionamento do Tropical Supermercado da avenida Zé Barriga”, citou ele.

Além do beneficiamento do arroz, a empresa que abriu com o sócio o que viria a se tornar também a primeira revendedora de veículos da linha Chevrolet em Rondonópolis, que hoje é representada na cidade pela Família Zaher.

Com muita satisfação, Waldivino lembra que chegou em Rondonópolis, que não tinha uma rua sequer pavimentada, com a esposa e a filha de seis anos de idade no dia 10 de maio de 1963, às 22h. Primeiramente, ele e a família se hospedaram no famoso Hotel Luzitano, da saudosa Elza de Oliveira Lima Alves.

“Depois, alugamos uma casinha ali na Rio Branco”, disse ele, lembrando com muita saudade daquela época. ”Todas as ruas da cidade eram de terra. Era um poeirão danado. Mesmo assim, dava gosto de viver em Rondonópolis. Tenho muita saudade daquele tempo. Era muita amizade. Aliás, amigos é o que mais fiz em Rondonópolis”, frisou.

Com a sua neta, a arquiteta Bruna Alves dos Santos

Política

Incentivado por amigos, entre eles o ex-prefeito Zanete Cardinal, o deputado Afro Stefanini, Wiliam Moraes e Antônio Estolano, ele acabou concorrendo como candidato a vereador nas eleições de 1969 pela extinta Arena.

Acabou eleito e tornou-se presidente da Câmara Municipal por dois anos. No entanto, ele conta que a política não o seduziu e saiu da vida pública. “Eu fui político, mas a política não entrou em mim. Fui vereador só um mandato, eu não quis mais”, disse ele, lembrando que foi neste período que as primeiras ruas da cidade foram asfaltadas: as avenidas Amazonas, Marechal Rondon e Cuiabá.

Ciretran

Ao término do seu mandato na Câmara, indicado pelo deputado estadual Afro Stefanini, ele foi nomeado pelo governador da época, José Fragelli, para ocupar o cargo de chefe da 2ª Ciretran de Rondonópolis, onde permaneceu por cerca de 15 anos.

“Na época tinha pouca verba. Para funcionar a Ciretran aqui, que foi instalada na avenida Rui Barbosa, eu tive que comprar com dinheiro do meu bolso a mesa e cadeira para sentar”, recorda Waldivino, que não queria muito assumir o cargo, e acabou aceitando por um pedido do deputado Afro Stefanini, de quem era muito amigo.

A sua gestão à frente da Ciretran local é lembrada pelos moradores da época por sua austeridade e seriedade no combate às fraudes.

 

 

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“Eu era chato, eu queria as coisas certas”, disse ele, assinalando que foi uma ideia dele, com o intuito de organizar melhor o trânsito da cidade que estava em franco crescimento, a implantação da mão única para veículos nas três vias pavimentadas de Rondonópolis.

“Inicialmente, muitos não gostaram, dizendo que a cidade não precisava. Eu tinha na cabeça que era preciso preparar o nosso trânsito para o futuro da cidade. Então, tornamos a Marechal Rondon, Cuiabá e Amazonas em sentido único”, comentou Waldivino.

Nas eleições de 1988, quando Jota Barreto ganhou a prefeitura, e a pedido dele concorreu a uma cadeira na Câmara Municipal, mas não conseguiu se eleger. Barreto, então, o convidou para ser Coordenador do Setor de Licitação da Prefeitura e, depois, o seu secretário de Administração, por três anos.

Após a gestão de Barreto, ele abandonou a vida pública de vez e passou a cuidar das suas chácaras no Globo Recreio e Gleba Rio Vermelho, onde faz de tudo até hoje. “Eu fazia uns queijinhos e vendia na cidade”, lembrou com saudade.

Festa surpresa

“Hoje, cuido das minhas vaquinhas”, disse ele, que no último sábado (1) ganhou uma festa surpresa para comemorar os seus 90 anos bem vividos, sendo que a maior parte deles em Rondonópolis, onde nasceram os seus dois netos: Flavio Alves dos Santos (Veterinário) e Bruna Alves dos Santos (Arquiteta).

“Foi uma baita surpresa. Fiquei numa alegria muito grande, fiquei muito contente mesmo”, disse ele. A festa foi organizada pela esposa Irene e a filha Neiri Márcia e reuniu parentes que vieram de Goiás e amigos próximos.

Da poeirenta Rondonópolis de quando chegou e sente saudade, Waldivino muito contribuiu para o desenvolvimento desta cidade que hoje é a mais importante do interior de Mato Grosso, a qual diz não conhecer mais “do tanto que cresceu”.

“O que eu vi Rondonópolis quando cheguei e o que a cidade é hoje é assustador. Cresceu muito Rondonópolis. Não conheço mais Rondonópolis”, frisou ele , que hoje se considera como sendo filho de Rondonópolis, onde vive há mais de 60 anos.

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Muito boa a matéria. o Waldevino que assinou a minha primera carteira de motorista.está de parabéns a filha Neiri Marcia pela organização da comemoração do aniversario.

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