17/05/2022 – Nº 665 – Ano 16

No ambiente empresarial como um todo, não apenas no setor de recursos humanos, tornou-se praticamente unanimidade a expressão ‘contrata-se pelas habilidades técnicas e se demite pelas comportamentais’. Pouca gente questiona isso. E com razão.

Mas não é só isso e pessoalmente tenho alguns ‘senões’. Como já escrevi nesse espaço, sou um tanto avesso e não convivo bem com qualquer tipo de ditadura, totalitarismo ou regra absoluta.

De modo prático, conheço vários profissionais (e empresários) que se sustentam nos cargos e funções em função das excepcionais qualidades técnicas, embora comportamentalmente sejam sofríveis. Por outro lado, também observo muita gente boa (empresários, inclusive) que se apoiam essencialmente nas habilidades comportamentais e tecnicamente são rasos no máximo.

É claro que devemos estar cientes de que nenhum desses exemplos podem servir de modelo ou como regra de sucesso, mas também não podem ser ignorados. Estão aí para bagunçar a lógica corrente e que obviamente tem sua relevância comprovada, fazendo todo o sentido, embora não seja única.
Exatamente por isso talvez um novo modo de compreender habilidades e competências profissionais faça tanto sentido e tenha se tornado relevante. Começamos por entender o que essas expressões significam.

As hard skills são originalmente as mais conhecidas. Dizem respeito as habilidades técnicas, certificações e qualificações, normalmente desenvolvidas por meio da sua trajetória de formação acadêmica e/ou experiencial. São conhecimentos facilmente testáveis e mensuráveis e por isso, obrigatórios no currículo de qualquer profissional.

As soft skills são as habilidades comportamentais (as mais desejadas ultimamente), notadamente subjetivas, como as interações sociais, a inteligência emocional, as habilidades de relacionamento e formas de construção de modelos mentais, dentre muitas outras.
Pensando em currículo, há algum tempo se utilizava a lógica de que era exatamente aquilo que você não colocava lá, porque não tinha como comprovar. Hoje isso também mudou, já que há inúmeros testes comportamentais que oferecem uma gama de opções sobre esse ‘seu lado’, cujos links podem ser inseridos.

Ocorre que nenhuma dessas parece ser uma boa opção de estratégia genérica para o sucesso profissional quando utilizadas isoladamente, além de que não é nossa a escolha entre hard ou soft, uma vez que somos feitos de ambos. Soma-se o fato de que as soft skills vem assumindo relevância inconteste, demonstrando a sua importância sobre o processo de entrega afetando as próprias hard skills.

Nessa toada entram as Real Skills como competências reais ou verdadeiras. Sua origem está na necessidade de humanizar as relações de trabalho nas empresas, na percepção de que não podemos separar o lado profissional e pessoal e; na observação da composição híbrida de perfil relacionando-os à produtividade desses profissionais.

Há muito conceito e discussão por trás disso ainda sendo ‘filosofada’, mas em essência consiste na capacidade efetiva de entrega contínua do profissional, isoladamente ou em equipe, reunindo as duas competências harmoniosamente.

Não é a simples soma como alguns querem nos fazer acreditar, mas sim a reunião única e equilibrada das habilidades técnicas e comportamentais de cada indivíduo, por isso difícil de estabelecer parâmetros e regras para orientar profissionais e empresas.

Como exemplo de Real Skill, entra de um lado a formação em engenharia, certificação em software tipo CAD e a aplicação prática em diversos casos, associado de outro lado à sua criatividade, autocontrole, empatia e persistência. Um profissional com essas características pode originar projetos criativos realizados a várias mãos com grandes diferenciais no mercado.

O principal autor da área, Seth Godin, estabeleceu categorias das real skills em 5 grandes campos, quais sejam autocontrole, produtividade, sabedoria, percepção e influência. Por tudo isso, os profissionais precisam entender suas Real Skills e seus gaps perante o mercado, desenvolvendo-as rapidamente. E as empresas, por sua vez, devem identificar as principais necessidades de Real Skills, criando ambiente adequado para o seu desenvolvimento de agora em diante.
Até a próxima.

Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor, Talent Hunter, articulista e palestrante – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer – Originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

2 COMENTÁRIOS

  1. Sei que em alguns casos, é necessário o uso de palavras em inglês, pois são exclusivas, próprias, mas, aqui no Brasil, parece que é moda o abuso de palavras em outra língua e o brasileiro fica a ver navios no deserto.

  2. De acordo com meu modesto entendimento, pelo que peço desculpas, mas gostaria que quem escreve algo em jornal ou revistas, etc., que use somente palavras em português, de modo que os brasileiros possam entender o seu significado.

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