(*) Hermélio Silva

A água esvaiu-se,
depois secou tudo.
Esturricou, amarelou,
Sem aceiro, sem escudo.

Veio uma fumaça
desfocando, enuviando.
Os pássaros passavam tristes,
chorando.

Os animais corriam,
não sabiam para onde.
Os répteis sofriam,
verdade que não se esconde.

Ouvia-se
um barulho triste,
crepitava, fagulhava, ardia…
Não há quem resiste.

Como um leito de fogo,
vermelho, abrasador.
Os humanos não conseguiam conter.
Muita dor.

Morte lenta e quase certa.
Meus pés, fincados.
Consumida aos poucos,
cascas, folhagens e caule… queimados.

Suportei o quanto pude.
Sobrou um tronco e dois galhos.
Puro carvão, mas resiliente.
Busco até orvalho.

O fogo acabou,
veio a chuva, festança.
A baía encheu,
e o coração de esperança.

Espelho d’água
reflete o que ver.
Vê de vida,
de vontade de viver.

(*) Hermélio Silva é escritor e membro fundador da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 6.

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