(*) Jerry T. Mill

Dedicado ao companheiro Luiz Antônio Lopes Ribeiro (1950-2022).

Sempre que posso e tenho a oportunidade, dear reader, eu repito de coração aberto e a plenos pulmões, para quem quiser ouvir, e mormente para aqueles que parecem já ter se esquecido disso, que todo rotariano (e toda rotariana) é, antes e acima de tudo, um ser humano – com as suas qualidades e as suas fraquezas cotidianas.

Em outras palavras, independentemente do tempo que ingressamos nas fileiras da nossa renomada organização, corremos o risco de fazer/dizer algo que pode ser mal interpretado pelos nossos pares, ou até mesmo de compreender de forma equivocada o que foi feito/dito pelos nossos companheiros e pelas nossas companheiras de clube. Como já sabiamente diziam os latinos (por morarem na antiga região italiana do Lácio), errare humanus est.

Na verdade, seja na família, no trabalho, na escola, na igreja e (lógico!) nos próprios clubes de serviço, podem surgir (e como surgem!) situações que exigem um quê de sabedoria, tolerância e, dependendo da sua gravidade, uma boa dose de conversa franca e negociação de sentido.

Em determinadas circunstâncias, um mero pedido de desculpa é essencial para que a almejada reconciliação entre as partes envolvidas se concretize. Já naqueles contextos mais complexos, o bom-senso e a Prova Quádrupla devem entrar em ação…

É neste cenário que eu prefiro pensar na figura do rotariano ideal, e não na ilusão do rotariano perfeito. Afinal, como é comum pensar há séculos, a perfeição é uma utopia, com um quê de divino ou de divindade. Algo ou alguém ideal, por outro lado, é mais humanamente possível e plausível de (vir a) existir, se é que já não existe ou existiu. Pois é o que comumente chamamos de modelo, exemplo ou padrão a seguir, seja dentro ou fora do universo rotário.

Assim sendo, no âmbito do RI (Rotary International), eu tenho comigo que o associado ideal, na sua essência, é aquele que procura conhecer e cumprir o que prevê tanto o Estatuto quanto o Regimento Interno do seu clube. Eles certamente incluem tópicos como voluntarismo, contribuições financeiras e prioridades institucionais.

Exemplos: que todo membro deve participar ativamente (de forma presencial ou remota) das reuniões semanais e das atividades internas ou externas do seu próprio clube e distrito, visitar outros clubes de serviço sempre que possível, priorizar temas rotários nas suas leituras, nos vídeos que assiste, nos áudios que ouve, et cetera.

Mais do que isso, porém, o rotariano ideal, longe de ser um santo, procura ter comportamento digno de ser notado e admirado no convívio social, seja por suas atitudes éticas ou morais na vida pessoal e profissional, bem como a sua presença e a sua constância são requisitadas no dia a dia da sua comunidade, independentemente do seu poder econômico ou da sua projeção social.

No entanto, como ainda não existem pais e mães que, feito uma indústria com uma moderníssima linha de montagem, produzem rotarianos (ou rotarianas) do presente ou do futuro sem nenhum defeito, é óbvio que se aprende a ser membro de um Rotary essencialmente no dia a dia do clube, em especial nos momentos de companheirismo e de interação/networking que (às vezes) somente os deliciosos jantares semanais oferecidos logo após as reuniões ordinárias são capazes de proporcionar, independentemente do cardápio do dia, ou da noite…

(*) Jerry Mill é mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras) e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis.

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