(*) Jerry Mill

No início de 2011, eu vi publicado um texto meu acerca do então chamado RIC (Registro de Identificação Civil), lançado oficialmente no dia 30 de dezembro de 2010, em Brasília, naquela época em que o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva ainda ocupava a Presidência da República. O documento em questão estava fadado a substituir o RG (Registro Geral), segundo estimativas, até o final de 2020. Para variar, mais uma vez, na história deste país, não foi exatamente isso o que aconteceu.

Eis que agora estamos em 2022 e a ideia, desculpe a tentativa de trocadilho infame, foi finalmente para o papel, mas o documento também pode ser obtido na sua versão digital. Mais prática e mais ecológica. Bem, pelo menos é o que prevê o decreto assinado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro em fevereiro deste ano. Com isso, haverá um número único de carteira de identidade válido por todo o país, o que, de acordo com especialistas, simplifica a vida do cidadão e aumenta a segurança dos seus dados, devido à possibilidade de validação eletrônica de autenticidade por QR (quick response) code, inclusive off-line, ou seja, quando o seu usuário não puder contar com a rede mundial de computadores. Mais conhecida como web ou Internet, right?

Além disso, esse novo comprovante de identificação pessoal terá uma funcionalidade extra: servirá de documento de viagem por causa da inclusão do código MRZ (Machine Readable Zone), de padrão internacional, o mesmo emitido nos passaportes. Por outro lado, ele terá tempo de validade, dependendo da faixa etária do seu portador. A boa notícia é que o atual RG ainda poderá ser utilizado por aproximadamente mais uma década. A má notícia é que o tal “novo RG” terá de ser renovado de tempos em tempos por uma boa parcela da população.

Mas vamos ao que realmente me interessa como professor e pesquisador do campo da Linguagem, dear reader. Afinal, embora a emissão do documento seja gratuita, eu ainda acho que vai custar um bocado (percebeu o bom trocadilho agora?) para muitos brasileiros entenderem porque, além da língua portuguesa, as palavras vão ter que aparecer também em inglês, e não em espanhol, por exemplo. Ou, num outro extremo, haverá contrariedade aqui e ali pelo fato de a carteira nacional de identificação não estar apenas no português brasileiro, por esta ser a língua oficial predominante no país.

O fato é que, a menos que novas mudanças sejam feitas, as palavras e expressões bilíngues (em português/inglês e com iniciais maiúsculas) Nome/Name, Nome Social/Social Name, Registro Geral – CPF / Personal Number, Sexo/Sex, Data de Nascimento/Date of Birth, Nacionalidade / Nationality, Naturalidade / Place of Birth, Data de Validade / Date of Expiry e, por fim, Assinatura do Titular / Cardholder’s Signature estarão lá, bem legíveis, na nossa cara, para todo mundo ver. Inclusive os ingleses, os americanos, os canadenses, os australianos, etc.
E ainda tem gente que acha/diz que eu (só eu?) valorizo demais a língua inglesa…

(*) JERRY T. MILL é presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras) e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis.

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