21/06/2022 – Nº 670 – Ano 16

Quais competências você precisa desenvolver para avançar na carreira ou na posição que ocupa na empresa? Muita gente procura a resposta para essa pergunta, muitos tem buscado responder ela e muitas pesquisas já foram publicadas buscando demonstrar o que você precisa saber fazer ou conhecer para crescer profissionalmente.

Ocorre que, por algumas razões simples, essa é uma pergunta que não tem resposta padrão. Primeiro que é impossível ser um fora de série em tudo. Na média, você pode ser bom em alguns aspectos, mediano em outros e ruim em outros tantos (Aqui está o pulo do gato que vou abordar em seguida).

Segundo, que cada pessoa possui suas individualidades, suas competências inatas, seus gostos e áreas de crescimento, suas alavancas estratégicas e suas áreas de desconforto. Saber disso já é um grande avanço. Vai aí uma sugestão.

E terceiro, que dependendo da posição que você ocupa, serão exigidas diferentes competências e habilidades para que tenha sucesso. Então, um dos aspectos centrais é, além de conhecer bem a si mesmo, conhecer as particularidades das posições que ocupa e o destino que você almeja. Mais uma sugestão.

De outro lado, também percebo muita gente defender a tese de que devemos focar tempo e energia naquilo em que já somos bons, melhorando ainda mais essas competências até torná-las excepcionais. Para os defensores dessa linha, isso nos faria destaques no mercado.

Mas, eu tenho sérias dúvidas. Para contrapor o argumento, faço uso de uma comparação que vem da biologia ou agronomia e é muito utilizada na área de fertilidade do solo, especialmente na nutrição de plantas: a lei do mínimo, criada no século XIX pelo químico alemão Justus Von Liebig.

Essa lei parte da ideia de que a produção de qualquer cultura é limitada, diante de todos os nutrientes de que ela necessita, por aquele nutriente em menor disponibilidade no solo, mesmo que todos os outros estejam disponíveis e em quantidade adequada.

Numa metáfora perfeita, para ilustrar a Lei do Mínimo pode-se imaginar a figura de um barril composto por ripas de madeiras com diferentes alturas. Com isso, o volume ou a capacidade do barril é limitado pela ripa mais curta (alta). Se enchermos o barril com água, por exemplo, veremos facilmente que a capacidade de armazenamento estará limitada pela ripa mais curta.

Trazendo isso para a área de gestão e comportamento, cada posição, função ou formação requer um conjunto de competências e habilidades necessárias para que os profissionais obtenham sucesso ou se destaquem no mercado.

Como na metáfora do barril, um bom gestor da área comercial, por exemplo, precisa ter mais de uma dezena de competências que são essenciais e o auxiliam na consecução das suas atividades, sejam elas no raciocínio quantitativo, relacionamento, liderança, organização e planejamento, negociação, comunicação, raciocínio rápido, dentre outras.

Notadamente, o seu resultado no médio e longo prazo é dado pelo conjunto (mais equilibrado possível), e não apenas por algumas competências excepcionais.

Dito de outro modo, um ponto fundamental que surge dessa comparação é de que você não pode ser um inapto completo em qualquer uma das competências necessárias, mesmo que seja espetacular nas demais, porque são as competências limitantes (lei do mínimo) que vão definir a competência do todo no longo prazo.

Na prática, ainda encontro profissionais da área de psicologia ou recursos humanos, por exemplo, afirmando que são péssimos em estatística e matemática básicas, ou ainda os da área de finanças e contabilidade que acreditam desnecessário entender de gente e comportamento. Isso para um momento em que métricas e competências comportamentais são requisitos para qualquer profissional de sucesso.

Por isso, imagine a composição do seu barril de competências, as necessidades que a posição e o mercado impõem e afie o machado nas combinações corretas, para que nenhuma competência necessária esteja abaixo do mínimo necessário, capaz de prejudicar o seu desempenho.
Até a próxima.

Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor, Talent Hunter, articulista e palestrante – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer – Originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

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