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Rondonópolis e o Casario: um encontro de histórias e identidade

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(*) Ana Paula

Fazendo um trajeto de pesquisa histórica pela Avenida Marechal Rondon me encantei pelas construções antigas destacadas no decorrer do percurso. Passei pela Igreja Metodista, com sua arquitetura que reporta ao estilo gótico, logo mais adentrei a Praça dos Carreiros com seu coreto; e seguindo adiante, fui observando as lojas… e por fim, as ruas transversais até chegar a edificação do 1º Cinema abandonada, embora esteja Tombada para o Patrimônio Histórico Municipal; e na esquina seguinte avistei o prédio da 1ª Agência de Correios e Telégrafos na mesma situação do prédio anterior.

Gostaria de destacar que alguns parentes dos trabalhadores dos telégrafos ainda residem nas imediações, inclusive àqueles que são descendentes do sr. Rutênio e continuam tocando a “Padaria do Dutti”, vizinha ao Camelódromo. Nesta altura do percurso observo a ponte sobre o Rio Vermelho, que dá continuidade a Avenida Marechal Rondon, e a sua esquerda o Casario.

É uma surpresa, a ponte quase em cima do Casario. Vejo a cena com tristeza, pensando na falta de cuidado e planejamento com esta obra do início século XX, umas das primeiras casas construídas pelos moradores que cuidavam a travessia do Rio Vermelho, acolhendo, abrigando, levando e trazendo de balsa as pessoas, animais e os primeiros veículos que circularam nas estradas de terra pela região.

Destaca-se o Casario ou a antiga Pensão do Cury, como sendo de grande valia histórica e cultural para a cidade de Rondonópolis, pois pode-se observar a arquitetura vernácula das casinhas de adobe e alvenaria. Estas casas geminadas Representam a presença de imigrantes em território Bororo. São Tombadas para o Patrimônio Cultural e Histórico municipal, embora, tenha relevância regional habilitando-a a ser Tombada também pelo Estado de Mato Grosso.

Ao conversar com pessoas do município, encontramos várias famílias que ao chegarem em Rondonópolis, residiram por um tempo no Casario. Outras contam que parentes viajantes compravam seus alimentos no bolicho e seguiam para Fátima de São Lourenço e Cuiabá; ou para a região de mineração, Guiratinga, Poxoréu ou Alto Coité.

Depois do Casario ter sido revitalizado, se tornou local de lazer e atividades artísticas, inclusive, eu, Ana Paula, discente do curso de História da (UFR) Universidade Federal de Rondonópolis já tive a oportunidade de levar minha família para lazer nos finais de semana e desfrutamos de um ambiente super agradável. Ali no espaço acontece o encontro de diversas culturas.

Gostaria de destacar, neste sentido, que os ciganos como povos nômades usam o Casario como ponto de apoio em suas passagens pela cidade. Os indígenas Bororo, apresentam danças, vendem seus artefatos e adornos em datas comemorativas; projetos itinerantes de cultura oriental já fizeram feiras no pátio do mesmo, visto que ali se instalou a Secretaria Municipal de Cultura.

Por fim, apresento algumas preocupações com relação a Gestão do Patrimônio Histórico e Cultural de Rondonópolis, pois como narrado ao percorrer a Avenida Marechal Rondon, passei por diversos Bens Edificados que são importantes para a História de nosso Município. Então, faço votos que o poder público, bem como a Secretaria Municipal de Cultura elabore junto aos vereadores uma POLÍTICA MUNICIPAL PARA O PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DE RONDONÓPOLIS, com objetivo de manter a arquitetura antiga e fortalecer as Referências Culturais Imateriais do Povo Bororo e dos Imigrantes que fazem a História desta região.

O Casario é Tombado e nota-se um cuidado em relação a estrutura material das casinhas geminadas. Visualmente falando a paisagem é linda aos olhos de quem frequenta o espaço a noite. O local tem restaurantes, lojas de artesanato, banheiros e um espaço de grama. Vejo necessidade de mais árvores até para trazer qualidade de vida para as famílias que frequentam o espaço, para atrair os pássaros e enriquecer a experiência das pessoas que anseiam pelo frescor da natureza enquanto observam as águas do Rio Vermelho e promovem a imaginação Histórica em direção ao passado.

No mesmo sentido, percorrendo o passado do Casario, no meu ponto de vista, se faz necessário, e considero de extrema importância, um Centro de Informação Turística no Casario; a disponibilidade de Guias Turísticos bilingues, principalmente escritos em Português, Bororo e outra língua; e Guias Históricos que pudessem apresentar rápidas palestras, fazer percursos históricos e orientar os visitantes interessados na História de Rondonópolis.

(*) Ana Paula da Silva é graduanda do curso de História da UFR

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns Ana Paula da Silva pelo excelente texto!
    Abraços literários!

    Aires José Pereira é professor Dr. do curso de Geografia e do Mestrado em Gestão e Tecnologia Ambiental da UFR, membro da ARL e coautor do Hino Oficial de Rondonópolis

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