Dom Juventino Kestering - 02-07-12

De 28 de janeiro a dia 20 de fevereiro, em decorrência de pneumonia e infecção pulmonar permaneci internado no Hospital Santa Rosa em Cuiabá, e agora outros vinte de repouso absoluto. Já restabelecido e com relativa capacidade de trabalho, aqui estou escrevendo essa matéria. Louvado seja Deus pela recuperação da saúde. Agradeço as orações de tantas pessoas e a capacidade dos médicos e da medicina.
Estamos no tempo de quaresma. Convite para caminhar com Jesus rumo à páscoa da ressurreição. Anualmente, a Igreja Católica oferece aos cristãos essa oportunidade de reflexão, de conversão, de oração, de penitência, de voltar-se para Jesus Cristo e para o irmão. Daí decorre o sentido da Campanha da Fraternidade durante a quaresma. No rosto de Jesus perceber o rosto do irmão e no rosto dos irmãos sofridos ver o rosto de Jesus. A Campanha da Fraternidade com o tema: “Igreja e sociedade” faz alerta sobre a sociedade que estamos construindo nestes últimos anos. Há de certa forma muito descontentamento com a violência, a baixa qualidade da educação, a situação da saúde, das rodovias, do atendimento público, da corrupção, das obras mal feitas ou inacabadas, do desperdício do dinheiro público. Há um sonho de dias melhores, de sociedade nova pautada por valores e harmonia.
Quero hoje lembrar o Dia Internacional da Mulher. Em minha mãe, já na eternidade, lembro todas as mães, todas as mulheres, em todas as mulheres o rosto feminino de Deus, presença e geradoras de vida, sorriso que toca o coração e reconstrói a vida.
Nas palavras de Cora Carolina “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores”. Ou na poesia de Zuleides Andrade “De onde vem esse seu jeito bonito de embalar a vida, de sorrir mansinho, cantarolar suave e ser presença querida de ternura e carinho?” Ou nas palavras “Hoje, eu quero deixar que a mulher sensível, delicada, romântica, frágil… seja vista e sentida! Quero um carinho, um abraço, um colo… Quero braços que me envolvam protejam, abriguem”.
Obrigado a todas as mulheres. Todas, independentes de raça, cultura, credo, estado civil, cor, corpo, profissão e credo religioso… mas em especial as mulheres sofridas, abandonadas, doentes, maltratadas, alquebradas, humilhadas, abandonadas, sozinhas, nos morros ou nas palafitas, na selva ou nas periferias das cidades, no campo ou nos seringais, nas aldeias indígenas, jovens ou idosas, casadas, separadas, solteiras ou religiosas. Mas também as mulheres que evangelizam, que estão nas pastorais, nos movimentos, nos serviços da Igreja, em especial a mulher catequista. As mulheres que doam a vida como uma vela que vai iluminado e se desgastando para abrilhantar o ambiente. Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher. Deus as abençoe, proteja, guarde.
Outro momento de ação de graças elevo a Deus o agradecimento porque amanhã completo 17 anos de consagração como bispo. Foi na manhã do dia 08 de março de 1998, na Catedral em Tubarão, SC, que assumi este ministério e ao mesmo tempo o envio para a Diocese de Rondonópolis. Assumi esta missão com a frase “Enviou-me para evangelizar”. Não fui eu que escolhi, foi um dom de Deus, um enviou da Igreja, uma missão que brota do compromisso com Jesus Cristo que nos diz: “Ide pelo mundo… eis que vos envio… vão a todos os povos”. Quando dei o meu sim, a um chamado do Papa João Paulo II, assumi o compromisso por inteiro e sem reservas. Aqui estou, aqui me entreguei nestes 17 anos, aqui minha saúde se fragilizou, aqui está todo meu ser.
Obrigado Deus pelo dom da vocação, pela fidelidade de 42 anos como presbítero e destes dezessete como bispo. Obrigado Senhor Jesus pelo chamado, por todos os momentos vividos, sentidos e vivenciados. Risos e lágrimas sempre com esperança e fé. Que Deus me dê força, vida e saúde para cumprir fielmente a minha missão. Com minha bênção e abraço.

(*) Dom Juventino Kestering é bispo da diocese de Rondonópolis-Guiratinga

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