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, 21 maio 2024
 
 

Como o cérebro reage aos estímulos traumáticos: dicas para regulação emocional

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(Foto – Ilustrativa/Freepik)

A mestre em Neurociências Livia Ciacci, neurocientista parceira do Supera – Ginástica para o Cérebro, afirma que é esperado que 90% das pessoas que viveram, presenciaram, resgataram e acompanharam (mesmo que com certa distância) os últimos acontecimentos no Rio Grande do Sul, tenham reações pós-traumáticas, que são normais do sistema nervoso, previstas e com duração de dias a semanas. “Como os estímulos ainda não cessaram, essa duração pode ser um pouco mais estendida”, afirma.

Segundo ela, dentre os comportamentos que caracterizam essas reações estão: a ansiedade, alternância de humor entre tristeza profunda e otimismo, dificuldades para dormir, sono agitado, dificuldade em se conectar com pessoas e cuidar dos filhos e familiares, tendência a se isolar ou a falar o tempo todo sobre a experiência, ou não falar nada, e aumento de reatividade a estímulos pequenos.

“É comum que crianças tenham regressão de comportamentos, como querer chupar chupeta, colo, fraldinhas. Tudo isso é esperado e normal, a única maneira de lidar é acolher e aceitar”, esclarece a especialista.

Livia comenta ainda que o nosso cérebro é capaz de coisas incríveis, mas nas situações traumáticas ele faz com que as pessoas sintam uma combinação de emoções dolorosas, como angústia, ansiedade, impotência, incapacidade, tristeza, insegurança e incerteza. Cada emoção tem a sua função e devemos reconhecê-las e compreender por que estamos nos sentindo assim, e nunca tentar evitá-las ou negá-las, é pior. “Toda a nossa vulnerabilidade está nessas emoções, quando nos reconhecemos, apenas, humanos.”

Como ajudar, a partir dos princípios dos primeiros cuidados psicológicos?

 

  1. Ao se prontificar a ajudar alguém, esteja calmo e estável emocionalmente.
  2. Mantenha expressões amigáveis e voz calma, fale menos e ouça mais.
  3. Converse pessoalmente em algum ambiente seguro e silencioso.
  4. Nunca peça para a pessoa relatar o que ela viveu e testemunhou, não é hora.
  5. Não pressionar nenhuma pessoa a falar, a conversa deve ser espontânea, e sua função é passar a percepção de suporte, acolhimento e ajuda com necessidades básicas práticas, como por exemplo, orientar onde encontrar apoio.
  6. Seja objetivo e claro nas palavras, sem falas longas, moralistas ou com metáforas.
  7. Quando der sugestões, que sejam práticas para resolver problemas imediatos. (por exemplo, onde encontrar cuidados médicos, pessoas que podem ajudar, locais onde conseguir objetos e abrigo) sempre tendo cuidado para dizer apenas informações que você tenha certeza.
  8. NUNCA minimize o sofrimento, falando frases do tipo “não chora”, “você tem que ser forte”, “importante é que você está vivo”, “vai dar tudo certo”, “perdeu só coisas materiais”, “Deus quis assim”. Substitua por paráfrases, repetindo o que você ouviu e entendeu, assumindo uma postura de que esse sofrimento é coerente e válido. Tentar ser positivo demais pode passar a impressão de invalidação e menosprezo do sofrimento.
  9. NUNCA fale dos seus problemas e nem faça promessas.
  10. Se crianças mencionarem culpa, explique que elas não têm influência nenhuma sobre o que aconteceu. Sempre de forma simples, linguagem fácil e sem colocar peso no acontecimento.

“Não patologize e não fale de sintomas nesse momento. Essas reações não são transtornos e a recuperação acontecerá sem intervenção na maior parte das pessoas. O período de recuperação vai variar dentro de alguns meses. Se, após a resolução da crise, quando a maioria já conseguiu retornar à uma rotina, ainda perceber pessoas se isolando, sofrendo as reações, com medos vinculados à experiência, aí sim podemos falar em transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) e procurar atendimento especializado. É esperado que 30% das pessoas impactadas desenvolvam TEPT”, explica Livia.

Regulação Emocional

A neurocientista esclarece que a regulação emocional não é evitar os sentimentos, mas reconhecê-los, aceitá-los e escolher como responder. E deixa algumas dicas para que ela aconteça:

  • Identifique as emoções que está sentindo, já que aceitá-las e acolhê-las faz parte do processo;
  • Se as emoções forem muito intensas, use estratégias como a respiração profunda, e fale sobre os sentimentos com alguém próximo;
  • Envolva-se o quanto antes em uma rotina mínima, que traga a sensação de recuperar o controle;
  • Envolva-se em atividades de apoio a outras pessoas, isso ajuda na autoconfiança;
  • Verifique os fatos e use o pensamento racional em conjunto com as emoções, para tomar decisões e calcular os próximos passos;
  • Celebre todos os pequenos ganhos do processo.

“Devemos validar e reconhecer cada uma dessas emoções. Mostrar que as pessoas não estão sozinhas. Que estamos aqui para ouvir e acolher. Porque mesmo que o sofrimento seja inevitável, nós podemos aceitá-lo e direcionar os olhos para frente. Somos sociais, e agora, mais do que nunca, é essencial essa força do grupo”, conclui Livia.

Fonte de Pesquisa: “Guia de Boas Práticas da OMS (Organização Mundial de Saúde)”

 

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