Hoje cerca de 50% a 70% do faturamento das empresas de transporte de cargas vai para o combustível (Foto – César Augusto)

O aumento do diesel que foi autorizado pela Petrobras já foi repassado ontem (10) para as bombas nos postos de combustíveis no perímetro urbano de Rondonópolis. O aumento médio na cidade foi de R$ 0,50 o litro do diesel, com o valor chegando a R$ 7,50 em média. Nas refinarias, o preço do diesel subiu 8,9%. Diante dos impactos negativos do novo aumento para o setor de transporte de cargas, a diretoria da Associação dos Transportadores de Carga (ATC) não descarta que possa ocorrer uma possível paralisação dos caminhoneiros autônomos, que pode ter a adesão das empresas em um segundo momento.

Aumento do diesel acaba gerando uma reação em cadeia no mercado (Foto – Danielly Tonin)

O diretor da ATC, Miguel Mendes, afirmou que os caminhoneiros autônomos já estão se mobilizando e há um “humor” entre a categoria para uma paralisação. “A situação hoje é bem pior daquela vivenciada em 2018 e, caso haja paralisação dos caminhoneiros autônomos, a tendência é que as empresas de transporte de cargas também acabem aderindo, mantendo as frotas paradas”, explicou sobre uma possível greve dos caminhoneiros, que pode ser ainda maior que a de 2018.

Diretor da ATC, Miguel Mendes, afirmou que há um “humor” entre a categoria para uma paralisação (Foto – Arquivo)

Mendes destacou que o segmento não havia nem mesmo se recuperado do último aumento no diesel e o preço já voltou a subir. O clima, segundo ele, é de pessimismo diante dos impactos no atual cenário econômico do país que ainda passa por um momento de inflação acelerada. “Hoje cerca de 50% a 70% do faturamento das empresas de transporte de cargas vai para o combustível, principalmente, em período de entressafra, quando há queda no valor dos fretes. Há um descontentamento do setor com a atual situação”, exemplificou.

 

 

————  CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE  ————————————————————————————————

 

 

Ele acrescentou que é preciso compreender ainda que o aumento do diesel acaba gerando uma reação em cadeia no mercado, com aumento no preço dos equipamentos, como pneus, entre outros, itens de manutenção, como óleo lubrificante, o que gera elevação maior ainda nos custos. Somado a isso, Mendes reforçou que em Rondonópolis as transportadoras estão neste momento tratando do reajuste salarial dos trabalhadores, que têm data base em maio. “A expectativa é de que o reajuste seja de cerca de 12% e isso também vai impactar nos custos com folha de pagamento. E como a inflação está alta, o reajuste acaba sendo maior”.

Para o segundo semestre, as expectativas para o setor de transporte de cargas é ainda mais pessimista, conforme explicou Mendes. Com a quebra da safra do milho em Mato Grosso, os impactos serão ainda maiores.
Diante deste cenário, o diretor afirmou que, infelizmente, as transportadoras de cargas devem acabar optando em reduzir suas frotas em operação, o que tem influência direta na redução de empregos. “Infelizmente, na atual situação, que vem criando muitas dificuldades para o segmento, poderão ocorrer demissões. Não restará alternativas”, disse.

Mendes concluiu cobrando ação do Governo Federal. “O governo precisa agir. O presidente (Jair Bolsonaro) tem a caneta e precisa agir, porque enquanto a Petrobras tem lucros absurdos a conta é paga na ponta, pelas empresas e trabalhadores”.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui