(*) Orlando Sabka

Karl Marx e Frederich Engels, em seu “Manifesto comunista de 21/02/1848”, dizia “abolir a vossa propriedade, é isso o que queremos”. “Queremos abolir a propriedade privada”. Quanto ao proletariado, afirma: “Sua luta contra a burguesia começa com sua própria existência”. Daí se conclui que existe uma enorme distância entre capital e trabalho, pois sem a propriedade privada e capital não existe trabalho, motivação, desenvolvimento, salário digno, realização pessoal, dignidade e assim por diante. Não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital. Ambos devem coexistir harmonicamente, para o bem de todos.

O Papa Leão XIII, em sua encíclica Rerum Novarum de 15/05/1891, diz em um dos trechos que “a justiça defende a manutenção integral da propriedade e a distinção de classes”. Afirma que “os Socialistas instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar para o Estado. Mediante esta transladação das propriedades e esta igual repartição das riquezas e das comodidades que elas proporcionam entre os cidadãos, lisonjeia-se de aplicar um remédio eficaz aos males presentes. Mas semelhante teoria, longe de ser capaz de pôr termo ao conflito, prejudicaria o operário se fosse posta em prática. Pelo contrário, é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários, viciarem as funções do Estado e tender para a subversão completa do edifício social”.

Essas observações do Papa Leão XIII se concretizaram na ex-União Soviética, China, Cuba, Correia do Norte, Camboja, com o confisco total das terras e demais bens, e que ceifou a vida em torno de 130 milhões de pessoas, assassinadas e ou que morreram de fome e frio. Tudo pertence ao Estado, abolidos todos os direitos individuais das pessoas, inclusive a religião. Esse é o legado do comunismo no mundo. E tem gente que quer implantar essa “maravilha” no Brasil e em diversos países da América Latina.

“O homem abrange pela sua inteligência uma infinidade de objetivos, e às coisas presentes acrescenta e prende as coisas futuras; além disso, é senhor de suas ações; também sob a direção da lei eterna e sob governo universal da Providência divina, ele é, de algum modo, para si a sua lei e a sua providência. É por isso que tem o direito de escolher as coisas que julgar mais aptas, não só para prover ao presente, mas ainda ao futuro. De onde se segue que deve ter sob o seu domínio não só os produtos da terra, mas ainda a própria terra, que, pela fecundidade, ele vê estar destinada a ser a sua fornecedora do futuro. As necessidades do homem repetem-se perpetuamente: satisfeitas hoje, renascem amanhã com novas exigências.

Foi preciso, portanto, que ele pudesse realizar o seu direito em todo o tempo, que a natureza pusesse à sua disposição um elemento estável e permanente, capaz de lhe fornecer perpetuamente os meios. Ora, esses elementos só podia ser a terra, com os seus recursos fecundos. Não se oponha também à legitimidade a propriedade particular o fato de que Deus concedeu a todo o gênero humano para a gozar, porque Deus não a concedeu aos homens para que a dominassem confusamente todos juntos”.

O comunismo, princípio de empobrecimento, cita Leão XIII que “além da injustiça o seu sistema, veem-se bem todas as suas funestas consequências, a perturbação em todas as classes da sociedade, uma odiosa e insuportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta para todas as invejas, a todos os descontentamentos, a todas as discórdias; o talento e a habilidade privados dos seus estímulos, e, como consequência necessária, as riquezas estancadas na sua fonte, enfim, em lugar dessa igualdade tão sonhada, a igualdade na nudez, na indigência e na miséria. Por tudo, o que nós acabamos de dizer, se compreende que a teoria socialista da propriedade coletiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles membros a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções o Estado e perturbando a tranquilidade pública.

Fique, pois, bem assente que o primeiro fundamento a estabelecer por todos aqueles que querem sinceramente o bem do povo é a inviolabilidade da propriedade particular”, pois gera produção, renda, sustentabilidade e equilíbrio social.

(*) Orlando Sabka é articulista em Rondonópolis.

2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pelo texto, muito esclarecido – Comunismo/Socialismo agem dessa forma. Instigam nas pessoas inveja, ódio e traz consigo misérias baseada na utopia da igualdade plena.

  2. Normalmente as publicações em Artigos são bons, que levam o leitor a uma reflexão, mas dificilmente alguém faz algum comentário, pois, caso fizesse, a contribuição seria sempre bem vinda de modo que haveria mais luz no horizonte.

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