Luís Otávio (*)

Os democratas progressistas dos EUA erraram ao considerar que teriam o referendo eleitoral, com uma pequena maioria, para implementar propostas muito ambiciosas, tais como o programa de trilhões “Build Back Better”, ou a reforma do sistema eleitoral. Priorizaram projetos de difícil aprovação e negligenciaram a gestão eficiente do curto prazo. O resultado foi o vexame no Afeganistão, inflação em alta, idas e vindas no enfrentamento ao Covid, entre outros fracassos. A consequência é que provavelmente irão perder a maioria para os Republicanos, nas eleições de meio termo deste ano.

Qual a lição para Lula, caso seja eleito? A sociedade brasileira está dividida, talvez menos que os EUA, e o Congresso vai continuar muito heterogêneo, requerendo o famoso “presidencialismo de coalizão”. Por isso, essencial ter um governo de transição, muito pragmático, que primeiro produza resultados: geração de emprego, inflação baixa e contas públicas na direção do equilíbrio. Fazer primeiro o “arroz com feijão”, já será muito, pois propostas estruturais, sem apoio popular, já sabemos o resultado.

Buscar implementar um programa de reformas sem consenso social, nas condições políticas existentes, geraria um antagonismo de interesses econômicos que inviabilizaria o mandato. Lula intuitivamente sabe disso, e a alternativa da composição com Alckmin sinaliza nessa direção. Todavia, muito pode ser feito com os instrumentos já existentes.

Reformas constitucionais podem e devem ser delineadas, tais como a reforma tributária e um novo regime fiscal que substitua o “teto de gastos”, ou mesmo a revisão da legislação trabalhista. Entretanto, mudanças na Constituição requerem uma conjuntura de apoio político oriundo do desemprego em queda, inflação sob controle, e renda em crescimento. A população demanda resultados emergenciais.

Em síntese, o fracasso do governo Biden e das propostas dos democratas progressistas demonstram que o pragmatismo do possível, mesmo que insuficiente, tende a gerar melhores resultados. Nesse cenário, um possível governo Lula, na melhor das hipóteses, tende a ser uma transição para a mudança de correlação de forças econômicas que permita, no futuro, a superação estrutural da desigualdade brasileira.

O Brasil precisará administrar suas expectativas para uma mudança gradual, orientada por uma política econômica mais inclinada ao crescimento econômico e a redistribuição de renda. Por isso, muito pragmatismo e diálogo de visões ideológicas distintas serão necessários. Evidentemente isso não significa ter leniência com o “dando se recebe”, ou aceitar retrocessos institucionais, numa tarefa que será de gerações.

(*) Luís Otávio Bau Macedo é professor associado do curso de Economia da UFR e coordenador do Programa em Pós-graduação em Gestão e Tecnologia Ambiental. E-mail: [email protected]

4 COMENTÁRIOS

  1. Lula nem deveria ser candidatos – Que nós brasileiros nunca mais tenhamos um Presidente que instalou a corrupção como meta de governo. É sempre esse discurso de “combater desigualdades.” Transição de para mudanças de correlação de forças econômicas ? Português rebuscado para disfarçar a utopia esquerdista.

  2. Quem sofre de Alzheimer são vocês mesmo (Orlando Sabka e André Luiz). Crescimento econômico de 5% ao ano, saída da 12* posição de maior economia do mundo para a 7*, ascensão social de 40 milhões de pessas que se encontravam abaixo da linha da pobreza para as classes C e D, redução da desigualdade social e econômica histórica desse país, deixamos de sermos devedores e nos tornamos credores do FMI, inclusão de novos 2 milhões de alunos ao ensino superor, recorde de criação de Universidades Federais e Escolas Técnicas, investimento récorde na ciência, política internacional respeitado no mundo inteiro etc. Mas depois veio o golpe, o Temer e o Bozo e começou o desmanche completo do Estado, a estagnação econõmica e o reaprofundamento das nossas desigualdades com inflação galopante e empobrecimento geral da população.

  3. Lula e as esquerdas no poder é enterrar de vez o Brasil, basta a roubalheira monstruosa e incompetência que resultou em 15 milhões de desempregados e dezenas de milhares de empresas comerciais, de serviço e indústrias que tiveram suas portas fechadas.

  4. Dentro das Universidades sonham com Lula! Tem razão quem diz que a esquerda sofre de Alzheimer seletivo: “sabem tudo sobre o futuro e esquecem o passado recente”.

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