(*) Orlando Sabka

Ao longo de nossa vida ouvimos palavras e frases de todos os tipos, a maioria verdadeira, muitas falsas e outras simplesmente prepotentes, a ponto de nos deixarmos estarrecidos. Sim, estarrecidos! E eis por que: “Você sabe com quem está falando?”. Essa é de doer até na alma, tamanha a arrogância e prepotência de quem às pronuncia.
Quando em crianças aprendemos a pedir a bênção aos pais, tios, avós e às pessoas mais velhas. O costume persiste, em muitas famílias, por esse imenso Brasil até aos dias atuais, principalmente no interior. É sinal de respeito e de educação para com os familiares e pessoas mais velhas. Mas muita coisa mudou, caiu em desuso e outras palavras são utilizadas, algumas de arrepiar os cabelos, principalmente quando hoje em dia essa juventude está ao computador, nos bate papo na Internet. Acabou-se a língua portuguesa. Eles criaram palavras e uma escrita jamais vista, mais parecendo uma salada mista mal feita. Incompreensível. Tempos modernos, prima-se pelas gírias, tão comum entre os jovens, mas eles se entendem.

Mas é a tal da vida moderna, onde todo mundo tem pressa, não existe mais um tempo para uma boa prosa. Sentar num banco de praça e ler um jornal é algo raro. E à noite, então, é sagrado o horário das novelas. Ali na telinha o blábláblá vai longe, pouco ou quase nada se aproveita. Nos intervalos, então, as propagandas enchem a nossa cabeça. Algumas são bem-vindas, elaboradas com inteligência, porém outras são dignas do latão de lixão, tipo aquelas gritadas a pleno pulmão. Haja paciência e ouvidos.

Mas, voltando às frases, que é o objetivo principal desse artigo, são maravilhosas, ditas do fundo do coração e soam como um hino em nossos ouvidos. “Eu te amo, quer casar comigo?”, “estou muito orgulhoso de você, meu filho”, “papai, mamãe eu amo vocês”, “passei no vestibular!”, “por favor, como posso atendê-lo?”, “por gentileza, só um instante”, “obrigado meu amigo, não sei como agradecer”, “por favor, me perdoa”. Isso é maravilhoso, é educação, respeito, cidadania…

Mas existem as exceções que denigrem em qualquer ambiente, seja familiar ou de trabalho, por exemplo. A truculência verbal fala mais alto. “Já mandei calar a boca”, “aqui quem manda é eu”, “faça isso e cala a boca”, “se vira, o problema é seu”, “dane-se”, “suma da minha frente”. A lista é longa, infelizmente. Quando isso acontece nos sentimos cada vez mais “diminuídos” interiormente.

No meio político, então, nas Casas de Leis, onde se supõe que a grande maioria seja de nível intelectual elevado, frequentemente palavrões e ofensas pessoais são proferidos, que pretendemos não citar, pois não contribui em nada, denigre ainda mais a imagem de boa parcela de nossos ilustres parlamentares. Ali, em plenário, ouvimos palavrões do arco da velha, justamente por aquelas pessoas que, pelo cargo que exercem, deveriam dar bom exemplo, mas não o fazem. Acham-se os tais! A arrogância aflora! Que nos perdoem os verdadeiros políticos, aqueles que realmente contribuem para um Brasil grande em seu sentido maior. A eles as mais belas e nobres palavras que somente enaltecem a grandiosidade das pessoas de bem, cuja inteligência, esmero pessoal faz a diferença. Um belo exemplo que enaltece foi o imortal Rui Barbosa.

E no esporte mais popular de nosso país, então, as ofensas pessoais são constantes, com apenas uma exceção: ninguém é chamado de “santo” e quem mais se ofende é a “mãe”. Tem gente que, pelo fato de estar num estádio de futebol, acha que tem o “direito” de dizer palavrões, de extravasar ao extremo, numa clara demonstração de falta de educação, como também com atos de vandalismo. Entendemos que todos têm direitos, sim, mas também obrigações. Obrigação de respeitar, de se comportar, enfim, de viver em comunidade em harmonia, exercendo sua plena cidadania.

Somente através da educação, a começar em casa e através da escola, respeito, gentileza, cordialidade, tolerância, conhecimento, é que poderemos viver num mundo melhor e que deve prevalecer as boas maneiras, “por favor”, “obrigado”, “desculpa”, ser uma constante no dia a dia de cada pessoa.

(*) Orlando Sabka é articulista em Rondonópolis. E-mail: [email protected]

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