Em Mato Grosso, a soja mantém excelentes condições, porém os produtores temem o risco de excesso de chuvas (Foto – Divulgação)

Com a expectativa de encontrar as principais regiões produtoras brasileiras em duas situações bem distintas, a maior expedição técnica do agronegócio brasileiro iniciou a avaliação das lavouras no domingo, 9 de janeiro. Em parte do país, formada pelo Mato Grosso, Rondônia, Norte do Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e o MAPITO-BA, a soja mantém excelentes condições, porém os produtores temem o risco de que o excesso de dias chuvosos e nublados prejudique o peso e a qualidade dos grãos.

Já na metade mais ao Sul do Brasil, a falta de chuva e as altas temperaturas desde o fim de novembro causaram perdas irreversíveis ao potencial produtivo das lavouras no Paraná, Sul do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os problemas foram suficientes para reduzir a estimativa de produção para 134,2 milhões de toneladas, 7% abaixo das projeções pré-plantio, que eram de 144,3 milhões de toneladas. A área plantada é estimada em 40,7 milhões de hectares – 5% maior que a safra passada.

Um aspecto importante: é preciso que volte a chover nessa parte do país para que os problemas não continuem se agravando. A produção atualmente projetada é 2,95 milhões de toneladas inferior à da safra 20/21. “Os problemas climáticos impedem uma terceira safra recorde consecutiva, depois de 19/20 e de 20/21”, diz André Debastiani, coordenador do Rally da Safra. A produtividade média de soja do Brasil para a safra 21/22 é estimada em 55 sacas/hectare, a menor desde a safra 15/16 quando o Brasil registrou 49,3 sacas/hectare.

 

 

———— CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE  ————
————————————————————————————

 

 

É um início de ano frustrante, diante do bom início da safra. A semeadura foi a mais acelerada da história, superando a de 18/19, puxada pela regularização antecipada das chuvas em importantes regiões produtoras.
Boa parte das perdas acumuladas se concentra nas lavouras de soja precoce (semeadas na segunda quinzena de setembro e na primeira de outubro), situadas nos estados afetados pela estiagem. Por isso, as maiores perdas estão no Oeste do Paraná, com redução da estimativa de produtividade média no estado para 45,0 sacas por hectare, 26% abaixo dos resultados da safra anterior.

Há perdas significativas também no Rio Grande do Sul, cuja produtividade agora é prevista em 48,0 sacas por hectare, queda de 17% sobre 20/21. A falta de chuva e as altas temperaturas prejudicaram boa parte da soja no período crítico de florescimento, aumentando o abortamento de flores e diminuindo o potencial da safra.

O Mato Grosso do Sul é um caso à parte: a seca na região Sul baixou a estimativa do estado para 48,5 sacas por hectare, 17% inferior à safra anterior, embora as lavouras do Norte estejam em excelentes condições, com possibilidade até de superar o recorde. “Um aspecto importante a considerar é que, em todas as regiões mais afetadas pela estiagem, é preciso que a chuva regularize o quanto antes para evitar que os prejuízos aumentem”, afirma Debastiani.

EXPECTATIVA DE BOA SAFRA NO MT
Nesta primeira semana de Rally, os técnicos estão percorrendo o Médio-Norte e o Oeste do Mato Grosso – onde a expectativa ainda é de uma boa safra. A projeção de produtividade para o estado é de 60,0 sacas por hectare, 4% acima de 20/21, mas os efeitos da baixa luminosidade, do excesso de umidade sobre o peso e a qualidade dos grãos e durante a colheita podem limitar o bom resultado. “É algo que as equipes do Rally estão buscando avaliar no campo, seja na coleta de amostras, seja no levantamento de dados sobre as primeiras áreas colhidas”, diz Debastiani.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui