A pandemia, como qualquer crise sanitária, causou e vem causando impactos na vida de várias pessoas. E com nossas crianças não foi diferente. Após quase dois anos de calamidade pública, observamos as consequências desse processo de isolamento e afastamento social.
Esse cenário interferiu no processo de alfabetização das crianças, pois elas necessitam de três aspectos importantes: primeiro, o desenvolvimento da autonomia (com estímulos realizados por terceiros para aos poucos ter o controle sobre sua escrita).

Segundo, socialização com outras crianças (a interação com seus pares é primordial para o desenvolvimento nesse processo) e terceiro a capacidade de foco (exercitar o autocontrole e lidar com a frustração). Esses três aspectos se relacionam e precisam fazer parte de todo o processo de leitura e escrita. E com a pandemia esses aspectos sofreram prejuízos.

Conforme pesquisas de órgãos competentes ligados à Educação, em junho desse ano foi constatado que 88% dos estudantes matriculados no 1º, 2º e 3º anos do ensino fundamental estavam em processo de alfabetização. Dessa proporção, 51% das crianças ficaram estagnadas no mesmo estágio de aprendizado durante a pandemia, 29% não aprenderam nada de novo e 22% desaprenderam parte do que já sabiam.

Temos conhecimento que a causa para esses dados advêm do reflexo da pandemia, de questões socioeconômicas das famílias e ou responsáveis das crianças e do pouco planejamento do Poder Público para compreender, intervir e atender a demanda de todo esse cenário vivido.

Observamos e acompanhamos que houve grande esforço das instituições escolares, especificamente do professor em buscar formas e estratégias para manter esse vínculo com a escola, com o objetivo de atender todas as crianças independentemente da classe social e que seu direito à Educação fosse preservado e atendido. Todavia, muitos entraves os profissionais dessa área encontraram em todo o processo, mas em nenhum momento desistiram dessa batalha.

Muitos deles tiveram que aprender e investir nas questões tecnológicas e sociais para poder chegar até a criança. Apesar de todo o esforço, notamos que as camadas sociais mais atingidas foram as de poder aquisitivo menor, elas foram as que mais sofreram e vêm sofrendo com toda essa situação, e não seria diferente quando se trata do período de alfabetização, foi nítido que aquelas crianças que tiveram acesso as aulas on line com seus professores, obtiveram um desenvolvimento satisfatório, diferentemente das crianças que por diversas situações (citadas acima) não puderam acessar os meios tecnológicos. Toda essa problemática foi diagnosticada no retorno das aulas presenciais.

Passado todo esse cenário, chegou a hora de olharmos para frente e traçarmos metas e objetivos para o desenvolvimento da alfabetização de nossas crianças. É de extrema importância que todos os envolvidos no processo estejam com mesmo olhar e objetivo, família-escola-Poder Público necessitam andar juntos para enfrentar esse desafio e problemática que só foi reforçado pela pandemia.

Com retorno das atividades presenciais nas escolas, o olhar sensível e reflexivo de toda a equipe pedagógica (interna e externa) será de extrema valia para compreender que a retomada da aprendizagem e dos conteúdos será processual e gradual e que as metodologias adotadas precisarão de novos formatos e estímulos para acender novamente em nossas crianças a luz e a curiosidade pelo conhecimento.

E para que esse caminhar acontece de maneira saudável, não podemos esquecer de trabalharmos com todos os envolvidos (professores, pais, criança, equipe gestora e formadores) as questões socioemocionais do respeitar, cuidar, zelar pela saúde mental e física de todos que participam e participarão desse processo.

(*) Marta Chrislainy Santos Fernandes, graduada em Pedagogia (Universidade Bandeirantes – São Paulo), pós graduada em Educação Ambiental e Atendimento Educacional Especializado. Professora da Rede Municipal de Educação de Rondonópolis e Rede Estadual de Educação de Mato Grosso

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