30/11/2021 – Nº 647 – Ano 15

Há alguns dias fiz uma palestra de desenvolvimento de lideranças para um público diferente. Ao invés de empresas, gestores e mercado, foi na paróquia da IECLB, igreja da qual sou membro. Como uma forma de contribuir com os talentos que recebemos fui chamado a emprestar minha experiência com gestão de lideranças para levantar pontos de reflexão sobre o engajamento, comprometimento e a participação das pessoas na comunidade.

É óbvio que discutir liderança e gestão de equipes nesse ambiente pode parecer sensivelmente diferente daquele vivido no ambiente empresarial, aparentemente muito mais competitivo e afeito a resultados concretos e consistentes.

Embora haja diferenças, também há muita similaridade. Uma dessas similaridades é que quando tratamos de engajamento normalmente imaginamos que uma liderança destacada para tal é capaz de fazê-lo, reunindo em si essa capacidade de angariar a simpatia de todos pela causa, usando sua influência.

Mas na prática não é bem assim. Tanto no ambiente empresarial como em comunidades dessa natureza, o processo não ocorre por consequência. Não basta uma pessoa só. Normalmente há líderes secundários, formadores de opinião que também tem seu ambiente de influência e por isso são fundamentais. Necessitamos cooptá-los para o propósito e estes reverberam positivamente sobre os seus liderados.

Precisamos avaliar melhor, por exemplo, quando chamamos aos membros e nas equipes também. Normalmente, nos comunicados, busca-se por engajamento ao estilo “todos” ou “alguém” pode se candidatar ou auxiliar em determinado projeto?

Assim, com frequência temos pouca adesão. Sempre falo que “todos, alguém ou ninguém” soam do mesmo modo, simplesmente porque somos humanos dotados de ‘nomes próprios’. Ou seja, o nome é nosso. Por isso, quando alguém nos chama pelo nome, aí é conosco, eu ouço e eventualmente me engajo. Se não, é sempre com os outros, embora eu seja um dos “todos” e também sou “alguém”.

Em algumas empresas percebo essa mesma necessidade de mudança de foco, buscando angariar primeiro a simpatia das lideranças dos setores, nominalmente e de forma objetiva, antes de tornar os projetos da organização como um todo. Estes têm ação direta sobre sua área de influência. Cria-se desse modo, capilaridade mais efetiva.
Outro ponto que chamei a atenção é sobre o reconhecimento. Como ser humano, espera-se que sua dedicação e seus resultados sejam reconhecidos pelos seus pares. Ou pela comunidade, como nesse caso. Ocorre que poucas vezes isso acontece.

Normalmente trabalhos filantrópicos e de atuação em prol da comunidade não recebem o merecido reconhecimento. Fundamentalmente porque o líder é um deles, logo não tem o ‘efeito do novo’ e todos conhecem seus pontos fracos ou sua trajetória desde muito cedo. Reclamações são mais frequentes que elogios e por isso muitas pessoas acabam não se engajando.
Nesse sentido, o reconhecimento não deve ser um objetivo em si. Se esse for o seu motivo sairá frustrado. São as causas e o propósitos que devem nos mover para auxiliar a comunidade, assim como as pessoas nas empresas. O senso de empatia é um elemento auxiliar muito importante nesse caso. Reconhecimento poderá vir como consequência, mas nem sempre.

Para os cristãos, há inclusive uma pista bíblica que reforça essa tese de que “santo de casa não faz milagre”. Lá em Marcos, 6: 1-5, está a passagem de quando Jesus retorna para sua terra e começa a ensinar na sinagoga. Embora as pessoas se admirassem dos seus ensinamentos, também reverberavam que ele era o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão.

Ou seja, era um igual a eles. Tanto que o Próprio afirma: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. E não podia fazer ali nenhuma obra maravilhosa.
Garanto, contudo, que há muitos santos de casa, líderes que se dedicam às causas coletivas, embora não sejam reconhecidos como tal. Graças a estes o mundo, as empresas e as comunidades evoluem. Já que não o fazem apenas para obter reconhecimento.

Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, Business Advisor, Talent Hunter, Mentor e Articulista – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer – Originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

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