(*) Ester Manso

Vergonha. Esse é o sentimento. Sou advogada há 20 (vinte) anos, e desde que recebi minha carteira da OAB pago a anuidade. Pra que? Para ver a sua instituição, que um dia você jurou proceder com ética, lhaneza, respeito, urbanidade ser vilipendiada a céu aberto por uma eleição às avessas a tudo que se prega. Aquela OAB que fez história como protagonista nas Diretas Já, e que um dia foi servida por Rui Barbosa não existe mais. Ficou no ostracismo…no esquecimento.

A cada dia que passa vejo retirar de mim sonhos alimentados por anos a fio em fazer parte de uma OAB vanguardista. Uma OAB inclusiva e que realmente pudesse fazer a diferença na sociedade, levando o direito ao cidadão desafortunado que a procura, enquanto administradora da justiça. Sim, Administradora da Justiça, pois esse é o seu verdadeiro papel preconizado pela Constituição Federal. Mas não é o que vemos hoje. São interesses particulares acima dos interesses de toda uma classe. É busca de poder e de permanecer no PODER, como se esse PODER fosse de uma só pessoa, ou de uma minoria, apenas. É falta de transparência com o dinheiro milionário que se arrecada ano após anos. É o entrelaço cada vez mais evidente e a olhos nus com a política partidária. É a fuga tresloucada das verdadeiras atribuições que lhe são insitas, enquanto Administradora de justiça. É o populismo exacerbado em demandas inúteis que só fazem demonstrar o quanto temos ainda que crescer e amadurecer enquanto Instituição.

Basta!! Não ao estrelismo. Não aos status por cargo. Não à promoção pessoal. Não à omissão no seu dever funcional. Não à má conduta. Não ao derretimento e à vergonha de toda uma classe. O quê dizer ao jovem advogado que acabou de entrar na Instituição, com sonhos, projetos e vê, sobressaltado, um enredo eleitoreiro que se descortina à sua frente, a cada “treta” deflagrada por profissionais que deveriam, em tese, nos servir de exemplo? Seria: Bem vindo.

Somos uma Instituição falida? Somos uma Instituição imaginária? Não. Eu me recuso a aceitar essa pecha. A eleição às avessas escancara as entranhas da nossa Casa. Descortina o quê há de mais sórdido do ser humano quando este se coloca na posição de querer ou de se manter no poder. Não importa qual Chapa será vencedora. Todos somos e continuaremos, depois do escrutínio, advogados. E esse advogado, e aqui colocado em comum de gêneros, quer ser representado. O advogado quer ser respeitado. O advogado quer ser útil ao cidadão. O advogado quer ver as suas prerrogativas defendidas. O advogado quer que seus interesses, enquanto administrador da justiça, sejam garantidos e preservados. O advogado quer saber se o seu dinheiro está sendo bem empregado. Ele quer contrapartida. Ele quer reconhecimento.

Ele quer fazer a diferença na vida do outro com dignidade. Ele quer poder ter o direito de votar para o seu Representante a nível nacional. Ele quer ser consultado e quer que a sua opinião valha quando nas tomadas de decisões sensíveis pela OAB. O Poder, meus caros, não é de ninguém. É da Instituição OAB. É por ela, e tão somente a ela e a seus princípios e valores éticos é a quem devemos nos curvar.

(*) Ester Manso Gomes, advogada e consultora em Mato Grosso

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