Presidente Bolsonaro: “A indefinição quanto ao seu novo partido, traz incertezas para seus apoiadores, que também precisam definir o futuro político pelos seus estados…”

1 – SENHORAS E SENHORES, eis que depois do anúncio do casamento, desfaz-se o namoro entre o presidente Jair Bolsonaro, ainda sem partido, com o Partido Liberal (PL), do ex-deputado Valdemar Costa Neto. A filiação do mandatário maior do país na legenda iria acontecer na próxima segunda-feira (22), mas o evento político foi cancelado pelo presidente do partido, depois de ter se desentendido com Bolsonaro. O motivo principal seria a discordância com relação à condução das negociações do partido no Estado de São Paulo, onde o PL estaria propenso a apoiar uma candidatura do PSDB, do governador João Dória, desafeto de Bolsonaro. Depois disso, a turma do “deixa disso” entrou em cena, tratou de acalmar os ânimos e já se negocia um possível reatamento da relação. Mas acontece que, livre e na pista, Bolsonaro abriu negociações com outras siglas, como PP, PTB e Patriotas, mantendo o clima de mistério quanto ao seu destino político. A indecisão e a seletividade do presidente já provocou reações, como a do senador mato-grossense Carlos Fávaro (PSD), que lascou um “quem quer namorar todo mundo acaba morrendo solteiro”, alertando para o fato de que ao querer cortejar muitas siglas ao mesmo tempo poderá ser excluído dos projetos dessas, pelo menos das maiores, que precisam de tempo e segurança para amarrar suas coligações pelos estados.

2 – E POR FALAR EM SEGURANÇA, isso é uma coisa que o presidente não tem passado para seus apoiadores, que são vítimas dessa indefinição, sem saber para onde ele vai e quais serão seus aliados políticos nas próximas eleições. Isso afeta inclusive políticos aliados de Bolsonaro, como o deputado estadual Claudinei Lopes (PSL), que já tinha até anunciado a seus apoiadores a intenção de acompanhá-lo no PL, mas que ficou novamente no vácuo, sema definição de um rumo a tomar.

3 – PEGOU MAL o indiciamento, por parte do Supero Tribunal Federal (STF), do deputado federal José Medeiros (ainda no Pode), que é acusado de suposto crime de racismo. Isso em qualquer época não é bom, mas é bem pior às vésperas do Dia da Consciência Negra, data criada justamente para lutar contra o preconceito racial e todas as suas manifestações. Ele ainda vai poder se defender e já afirmou que o termo “mulamba” usado por ele para se referir a uma manifestante que cobrava a abertura da CPI para investigar as atuações de políticos na pandemia, na verdade é um termo muito comum no Nordeste, região natal do deputado, e não teria a conotação racista.

O DEPUTADO MEDEIROS já responde outro processo no STF, esse por espalhar fake news contra as urnas eletrônicas e tentar desacreditar o processo eleitoral brasileiro. Nos dois casos, o entendimento da Corte maior brasileira é que ele extrapolou e que suas declarações “não estariam dentro dos limites da liberdade de expressão”, deixando antever que Medeiros pode vir a ter problemas por conta desses processos.

Governador Mauro Mendes: “Começa a inaugurar e lançar obras, inclusive em Rondonópolis, com vistas a corrida eleitoral para a sua reeleição…”

4 – É UMA VELHA RECEITA DE BOLO, mas que ainda faz muito sucesso. É o que se pode afirmar da postura do governador Mauro Mendes (DEM), que levou o prefeito José Carlos do Pátio (SD) e boa parte da classe política rondonopolitana até Cuiabá para a assinatura do convênio milionário que vai permitir a melhoria da infraestrutura dos distritos industriais da cidade, reclame antigo do empresariado e dos trabalhadores desses distritos, que há muitos anos, e governos, sofrem com o descaso e o péssimo estado das vias e da região em si, tomada por buracos, matagal e escuridão. Não tão experiente politicamente, mas bastante focado e articulado, Mendes tem mostrado agora atenção com a segunda cidade mais importante do Estado, anunciando obras de grande importância, justamente no momento em que estamos a menos de um ano para a eleição de 2022, quando ele deve tentar a reeleição. É uma velha receita, essa de deixar as obras para serem lançadas e iniciadas próximo das eleições, de forma que o gestor chegue na data da eleição com moral de realizador e inaugurando obras. E por mais antiga que seja, essa receita ainda funciona e é um expediente usado por políticos de todas as matizes, usando o seu mandato para realizar obras visando o pleito eleitoral.

5 – VOANDO EM CÉU DE BRIGADEIRO, sem que até o momento tenha sido apresentado um oponente em condições de derrotá-lo no pleito do ano que vem, Mauro Mendes segue como o favorito, não só porque faz uma administração sem os constantes escândalos de corrupção tão comuns em outras épocas, mas também porque conta com a máquina pública, o que garante uma boa dianteira para esses ocupantes do poder. Juntos, os seus méritos e a desarticulação de seus possíveis concorrentes lhe garantem uma dianteira que, se levada até a data da eleição, podem lhe garantir a recondução ao Paiaguás, mas nunca é demais lembrar que esse tempo de céu limpo e sem nuvens pode mudar sem avisos, pois uma das únicas garantias que existem na vida e na política é que tudo pode mudar num piscar de olhos.

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