1 – SENHORAS E SENHORES,
os bastidores da política nacional fervilharam nos últimos dias, como há muito tempo não se via. Os dois principais eventos foram o anúncio oficial da filiação do presidente Jair Bolsonaro ao Partido Liberal (PL), o que por sua vez já provocou uma série de desdobramentos que chegam até aos estados, e o outro evento, tão expressivo quanto e que também já conseguiu provocar uma série de desdobramentos, foi a filiação do ex-juiz Sérgio Moro ao Podemos, com o compromisso de concorrer à Presidência da República pela sigla.

No caso de Bolsonaro, que marcou para o próximo dia 22, número de seu novo partido, o ato de assinatura de sua ficha de filiação ao PL, ele precisava realmente se filiar a um partido para dar início às articulações visando viabilizar sua candidatura à reeleição. E partido escolhido, que possui uma bancada federal formada por 4 senadores e 43 deputados federais, se encaixa como uma luva em seu projeto. Isso porque a sigla liberal possui em seus quadros políticos experientes e hábeis, que podem lhe garantir tranquilidade para terminar seu primeiro mandato e uma capilaridade pelos estados que contribuirá muito para uma possível reeleição.

PARA O PRESIDENTE E
seu grupo político é importante essa filiação a um ano da eleição, para que haja tempo hábil para que os seus apoiadores e eleitores possam se filiar ao PL e reforçar as suas posições dentro do partido, assim como permitirá que as composições com outras forças nos estados possam ser feitas.
Já Sérgio Moro, que se filiou ao Podemos no último dia 10, a construção é mais complicada, mas ele agora tem missão parecida com a de Bolsonaro inicialmente, que é reforçar seu partido e montar palanques pelos estados, além de precisar aparecer melhor nas próximas pesquisas eleitorais, para que de fato possa se colocar como o candidato da terceira via, ou seja: crescer o suficiente nas pesquisas para que possa então capitalizar para si os votos daqueles eleitores que não querem votar nem em Bolsonaro e nem no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Caso consiga virar o ano já pontuando melhor nas pesquisas, ficando próximo dos 15% ao menos, Moro pode atrair esses eleitores e até disputar a eleição com chances de vitória, mas isso não acontece num passo de mágica. Ao contrário, exige um duro trabalho de articulações para fortalecer o Podemos, que hoje tem 11 deputados federais e 9 senadores, filiando novas lideranças, além de percorrer os estados montando palanques. Para isso, vai depender muito da experiência de lideranças como o senador Álvaro Dias, que parece bastante disposto a ajudar na missão de fazer o ex-juiz a decolar sua pré-candidatura.

2 – A REPERCUSSÃO EM MATO GROSSO
dessas movimentações políticas, já começou e o primeiro a ser beneficiado, ao menos aparentemente, é o senador Wellington Fagundes, que foi um dos que convidaram e articularam essa ida de Bolsonaro para o PL. De cara, o senador que antes não tinha uma chapa para sustentar seu projeto de reeleição, como a Coluna analisou na edição passada, passa a ser o candidato a senador do bolsonarismo no Estado, dando um passo gigantesco rumo à sua reeleição.

Deputado José Medeiros: “Com Sérgio Moro no Podemos vai ter que mudar de sigla para continuar apoiando o presidente Bolsonaro…”

Nisso, admitamos, Fagundes mostrou a maturidade e a astúcia característica do político experiente e adesista que é, estando ao lado daqueles que estiverem no poder, independentemente de espectro ideológico. Enquanto outros, como o deputado José Medeiros (Pode), se digladiavam nos bastidores pelo apoio de Bolsonaro, ele foi lá e simplesmente filiou o presidente em seu partido. Resta agora saber como o eleitorado vai reagir a esse movimento do senador rondonopolitano, que se elegeu senador e foi até candidato a governador com o apoio da esquerda, mas agora pleiteia o voto da extrema direita para a sua reeleição.

3 – ESSA MOVIMENTAÇÃO
do senador Wellington Fagundes praticamente enterra de vez as pretensões do deputado federal José Medeiros de voltar ao Senado, como aliás a Coluna já vinha antecipando. Sem o apoio de Bolsonaro, ele deve mesmo se contentar em sair à reeleição, com excelentes chances de conseguir seu intento. Ele só teria dificuldade caso o apoio ao atual Presidente da República caísse muito no Estado, o que é pouco provável, por se tratar de um Estado com grande parte dos eleitores de perfil conservador.
Resta saber agora se Medeiros permanecerá no Podemos, o que é pouco provável depois de ser “convidado” a se retirar da sigla pelo seu presidente nacional, senador Álvaro Dias, após o deputado federal não ter comparecido ao ato de filiação de Moro ao partido. O destino natural seria o PL, mas o político ainda não sinalizou nessa direção.
Com Moro pré-candidato a presidente da República, e atacando o presidente Bolsonaro, é mais do que claro que o Medeiros não continuará no Podemos.

Deputado Claudinei Lopes: “Para acompanhar o presidente Bolsonaro poderá se transferir para o PL…”

4 – QUEM ACABOU DEFININDO
que pode migrar para o novo partido de Bolsonaro é o deputado estadual Claudinei Lopes, o Delegado Claudinei, atualmente no PSL. Ele inclusive já deixou claro que não teria nenhum impedimento para apoiar a reeleição de Fagundes ao Senado. Fiel ao presidente, tendo sido eleito na onda bolsonarista que varreu o país em 2018, ele será um dos reforços da nova sigla de Bolsonaro no Estado e pode até ajudar a convencer Medeiros a acompanhá-lo, para que façam uma “dobradinha” junto com o atual senador. Claudinei para Estadual; José Medeiros para Federal e Wellington para o Senado. Tá faltando ai quem seria o candidato a governador.

5 – E ESSA DEFINIÇÃO
de Bolsonaro pelo PL possibilita que as articulações para se ter uma candidato a governador bolsonarista avancem, permitindo se vislumbrar articulações mais amplas, inclusive com o governador Mauro Mendes (DEM), que pertence a uma direita menos radical que os aliados do presidente, formando assim um palanque dos sonhos. Mas esse é um assunto que nós vamos conversar mais para frente.
Por hoje é só. Semana que vem voltamos a conversar mais sobre política.

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