Os problemas no atendimento do HR já vinham sendo relatados há mais de dois meses

Uma médica e uma servidora do município participaram de uma audiência extrajudicial na 1ª Promotoria de Justiça de Rondonópolis na segunda-feira (25) e relataram a atual situação em que se encontra o Hospital Regional de Rondonópolis, que não vem atendendo a demanda nem mesmo de pacientes em estado grave.

Mesmo após fechar o atendimento da Covid-19 há cerca de dois meses, o HR não estaria recebendo a demanda de pacientes atual e há denúncias de mortes por falta de atendimento, filas de pacientes da ortopedia, falta de pagamento de salários à equipe médica, bem como de equipamentos médico-hospitalares sem condições de uso.

Os problemas no atendimento do HR já vinham sendo relatados há mais de dois meses e reportagens do A TRIBUNA abordaram a situação com denúncias de que pacientes graves não vinham sendo recebidos no hospital. Na ocasião, vereadores e o próprio prefeito José Carlos do Pátio denunciaram os problemas e cobraram soluções do Governo do Estado, no entanto, a situação atual está ainda mais complicada conforme denúncia apresentada ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

 

 

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O A TRIBUNA teve acesso à ata da audiência extrajudicial no MPMT e, segundo as informações da médica e servidora que atuam na Central de Regulação do Município, a região tem hoje uma fila com 81 pacientes aguardando cirurgia ortopédica.

Há, inclusive, o relato de óbito de uma paciente de Campo Verde que aguardou 13 dias deitada em uma “prancha rígida, totalmente imobilizada aguardando vaga”, que ao dar entrada no HR acabou morrendo em decorrência de uma embolia pulmonar grave.

Além disso, médicos do hospital estariam há sete meses sem receber salários e utilizando instrumentos avariados. A equipe da ortopedia da unidade estaria realizando apenas 5 a 6 cirurgias ortopédicas por dia, o que seria insuficiente para atender a demanda de 19 municípios da região.

Os problemas incluiriam ainda falta de transparência do hospital quanto a quantidade de vagas atualmente disponíveis em leitos da clínica médica, cirúrgica e enfermaria e a negativa em receber pacientes em estado grave.

De acordo com o relato das profissionais, o HR estaria negando atendimento para os pacientes enquadrados como “vaga zero”, ou seja, pacientes em estado grave de saúde que conforme a Portaria do Ministério da Saúde nº 2048/02 não poderiam ter atendimento negado, mesmo sob alegação de inexistência de leitos disponíveis. Esses pacientes classificados como “vaga zero” são os que geralmente apresentam problemas de saúde como infarto, fraturas expostas, AVC hemorrágico, insuficiência renal crônica, aneurismas, dentre outras enfermidades graves e que podem levar à morte.

Os relatos da médica e da servidora da Central de Regulação são acompanhados de documentos, fotografias e demais provas comprobatórias da situação denunciada. A apuração das denúncias está em andamento no Ministério Público e está sendo conduzida pela promotora de Justiça Joana Bortoni Ninis.

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