A crítica do Sindifrigo vem do fato de que houve quedas de 15% a 20% no preço da arroba do boi e da carne da indústria para o atacado, mas para o consumidor, no balcão, não teve nenhuma queda (Foto – Arquivo)

A queda no preço da arroba do boi em função do embargo da China à carne brasileira ainda não chegou até o consumidor de Mato Grosso. Um dos problemas, segundo o Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo/MT), estaria justamente no varejo.

Ou seja, mesmo com perspectivas de especialistas de redução do preço ao consumidor final, açougues e supermercados não estariam repassando a queda dos preços ao consumidor, que continua pagando bem caro pela carne.

 

 

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Em nota, o presidente do Sindifrigo/MT, Paulo Bellincanta, afirmou que “como era de se esperar as grandes mudanças provocam ajustes nem sempre acompanhados ao mesmo tempo pelos elos da cadeia, porém existe neste momento uma distorção que chama atenção do mais leigo observador, e deixa o consumidor confuso, já que ele escuta nos noticiários sobre a grande baixa dos preços da arroba do boi, mas percebe que não há movimento no preço da carne”.

A crítica do Sindifrigo vem do fato de que houve quedas de 15% a 20% no preço da arroba do boi e da carne da indústria para o atacado, mas para o consumidor, no balcão, não teve nenhuma queda. As indústrias frigoríficas alegam que já acumulam prejuízos e, diante da situação, cobram açougues e supermercados para se engajarem na cadeia produtiva e baixarem os preços para o consumidor e assim contribuir para que a produção de carne seja vendida.

“Está na hora de o balcão mostrar sua parceria, baixando os preços do produto e proporcionando maior vazão à nossa produção. Os balcões dos açougues e supermercados precisam se engajar na cadeia e não se apresentarem como inimigos”, disse o presidente do Sindifrigo/MT em nota.

Conforme o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), com maior oferta de carne no mercado interno, ainda há perspectivas de que o preço da carne reduza no mercado local, caso as exportações não sejam retomadas em curto prazo. A arroba do boi e o preço da carne no atacado já estão sendo negociados em valores menores.

“O varejo é o setor que mais demora para repassar essa queda de preço ao consumidor. Pode levar mais tempo para que a desvalorização no campo e no atacado possa ser verificado nas gôndolas dos supermercados”, explicou o diretor de operações do Imac, Bruno Andrade.

PREJUÍZOS
Segundo o Imac, o prejuízo diário decorrente da suspensão das vendas de carne bovina para a China é de U$ 4,4 milhões por dia útil e caso a produção não seja destinada a outros mercados, o impacto gerado no mês de outubro, considerando o ritmo das exportações em 2021, indica uma perda de faturamento com as exportações de até U$ 88,17 milhões somente para Mato Grosso.

O diretor de operações do Imac, Bruno Andrade, argumentou que os números já refletem o efeito China. “No Brasil, até o momento, a perda diária foi de 10,4 milhões de dólares por dia útil e 42% desta receita seria de Mato Grosso. A suspensão está trazendo prejuízos não só para a indústria. No campo, a arroba do boi já caiu cerca de 20% nas últimas semanas”, afirmou Bruno Andrade.

Isso indica, de acordo com o Imac, um prejuízo para todos os elos da cadeia, em confinadores especiais de gado de corte que precisam comercializar seus animais terminados.

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