(*) Francisco Assis

Não toque nas lágrimas
Deixe as caírem em queda livre
Provem da fraqueza de alguém que vive
São gotas que representam páginas.
Não enxugue a face
Apenas assista esse desaguar abundante
Uma correnteza superficial não penetrante
Não subestime sentimentos, abrace.
Não tente arrancar uma explicação
Elas irão se interromper naturalmente
Talvez numa desalienação de suspiros não comovente
Coisas do coração.
Não contextualize nenhum drama
Talvez possa ser uma causa perdida
São reações desnecessárias na vida
Dum que vive do ódio ou doutro que ama.
Não podemos desobrigar ninguém desse prazer
Somos reféns da própria fraqueza
Quão emotivos vai da natureza
E quando se livram das amarras decide viver.
Afinal, se deve chorar ou engolir calado
Por razões óbvias ou desabafo pleno
Algo irrisório fato pequeno
O peito dói com o espinho cravado.

(*) Francisco Assis Silva é poeta e militar – email: [email protected]

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