(Foto – Arquivo)

O momento foi extramente doloroso, incerto e triste, com centenas de milhares de mortes apenas no Brasil, mas, felizmente, esse período crítico da pandemia do novo coronavírus vem sendo superado, com o avanço da vacinação contra o vírus no país. Todos os indicadores da doença, como internações, número de casos e de mortes, caíram sensivelmente e, cada vez mais, a pretensa normalidade na vida das pessoas vai sendo retomada.

E, neste momento de alívio, surge a pergunta que não pode ser ignorada: qual o aprendizado que vai ficar no pós-pandemia? Ouvindo pessoas de diferentes segmentos de Rondonópolis, o A TRIBUNA questionou: O que aprendemos com a pandemia? O que ela mudou nas pessoas? Confira o que elas responderam:

 

 

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Abadia Rosa Miranda, coordenadora da Casa Esperança
“Vou falar com o que vivencio. A gente está assistindo os extremos do ser humano após a pandemia. De um lado, têm pessoas com muito potencial para ajudar nesse momento e não fazem nada e, do outro, pessoas que estão sobrevivendo a esse naufrágio e, mesmo assim, estão levando aquilo que conseguiram juntar para dividir com o próximo. Assim, tenho visto doações de pessoas que têm tão pouco e, por sua vez, outras com tanto sem fazer nada. E a pandemia afetou a todos de forma igual, mostrando que o dinheiro não é tudo. Agora tem pouca gente ajudando muito e muita gente ajudando pouco ou quase nada.”

 

Hermélio Silva, escritor, consultor e assessor parlamentar
“Essa pandemia trouxe mais introspecção, a preocupação com a higiene pessoal e que devemos socializar o saber, a ciência e divulgar ações que nos protege contra esse mal que aflige a todos. Passamos a ter medo de tudo que é ligado à saúde, de nos abraçarmos, de cumprimentar o amigo e fugir das aglomerações, ou restringir-se quanto a isso. Em grande parte, lembra a Alegoria da Caverna, de Platão, ao contrário. Noutras as pessoas que não acreditam no mal, como aquela antiga dúvida do homem ter chegado a lua. Mas, a lição maior é que somos apenas um sopro de Deus.”

 

 

Hélio Pichioni, médico e ex-vereador
“Não há como não falar que não teve mudança. Aprendemos a conviver com algo diferente, com uma doença que surgiu e ‘levou’ muita gente no mundo inteiro. A gente ainda não sabe como surgiu esse vírus, se foi produzido ou não, mas o fato é que o uso de máscara e álcool em gel vai permanecer por um bom tempo. Agora para muita gente não mudou nada. Tomei as três doses da vacina, e temos de ter consciência que algo de pior pode ocorrer, por isso é preciso se precaver. Mas o principal aprendizado foi o cuidado com a vida, de se cuidar mais.”

 

Érica Rezende, psicóloga e responsável pelo projeto “Autismo na Escola”
“A gente aprendeu a importância daquelas pessoas que estão dentro da própria casa, pois precisou conviver muito com essas pessoas neste período. Também aprendeu a se preocupar com esse outro, a valorizar muito mais as pessoas de fora, a valorizar cada momento. Aprendeu a se reinventar demais de uma hora para outa, pois a gente teve de se readaptar. Aprendeu o quanto é importante estar fisicamente e emocionalmente preparado para eventuais mudanças que podem acontecer na nossa vida. Agora, quanto às mudanças nas pessoas, percebo que teve coisas boas e ruins. Um problema é que aumentou muito a ansiedade e a depressão e, por outro lado, melhorou muito a questão dos hábitos de saúde das pessoas. Vejo as pessoas cuidando mais da alimentação, fazendo exercício físico… Também vejo que muitos se tornaram pessoas melhores, mais tolerantes e acredito que houve aumento de solidariedade”.

 

Pedro Barbosa, contador e músico
“O que aprendemos foi dar valor à vida, a cada momento. Na correria do dia a dia, a gente não vê que não está dando atenção a essas coisas. O ser humano aprendeu muito neste período. Ele cresceu e aprendeu a dar valor ao próximo, à própria vida. Isso o fez crescer como pessoa, pois os momentos mais simples da vida a gente não dava importância. Tivemos uma série de mudanças de hábitos entre as pessoas, que não voltam atrás, como a higiene com as mãos, o cuidado com o contato com o próximo e com toda poluição que a gente absorvia de fora, da rua. Acho que tudo isso a gente vai levar para toda a vida.”

 

Ildo Rodrigues, pastor auxiliar do templo sede da Igreja Assembleia de Deus
“Ainda não sabemos se passaremos por outra fase crítica, mas acho que a pandemia veio para igualar a todos, para mostrar a soberania de Deus e que o homem não é nada, não é dinheiro, não é poder, nem nada… Precisamos ter humildade para reconhecer que somos nada. Acho que nunca mais seremos a mesma sociedade em termos de hábitos e práticas sanitárias. Enquanto ser humano, nenhuma pessoa consegue entender em são juízo os projetos de Deus, só se estiver movido pelo Espírito de Deus. Talvez por isso, a maioria das pessoas não vai aprender nada com esse período, só vai ser mais uma pandemia. Infelizmente, mesmo na Igreja, muitos passaram por esse período e esfriaram espiritualmente”.

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