(*) Maria do Carmo
(*) Carla Andressa
(*) Marta de Almeida

A educação infantil é a primeira etapa da Educação Básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 anos, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, completando a ação da família e da comunidade. Sabe-se hoje da importância dessa etapa, mas até pouco tempo atrás esse ensino era tido como de menor importância.
Atualmente sabemos que a estimulação precoce das crianças contribui e muito para o seu aprendizado futuro. Desenvolve suas capacidades motoras, afetivas e de relacionamento social. O contato das crianças com os educadores transforma-se em relações de aprendizado.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento instituído desde 2018 propõe que as crianças sejam protagonistas de seus próprios aprendizados, tendo cada vez mais voz e participação nos processos de aprendizagem. Dessa forma, precisamos entender a origem etimológica do termo “protagonista”, que remete à palavra protagonistés, em grego significava ator principal de uma peça teatral ou aquele que ocupava o lugar principal em um acontecimento. Assim, para reconhecermos as crianças como atores sociais tanto em suas próprias vidas como na escala social, é preciso que as reconheçamos como pessoas com direitos, capacidades e valores próprios, além de participantes de seu próprio processo de crescimento e desenvolvimento pessoal e social.

Pelo exposto acima, nota-se que várias questões precisam ser levadas em consideração para que o protagonismo se evidencie, tais como: A criança tem oportunidade de escolha das brincadeiras, brinquedos e materiais? O planejamento se dá de forma heterogênea? O espaço é desafiador à criança e adultos? Há oportunidade de contato e brincadeira da criança com animais e elementos da natureza? A parceria com a comunidade permite a exploração de outros espaços? Os saberes das famílias são considerados no planejamento da unidade?

Com essas indagações, os professores e as famílias vão entendendo que não basta distribuir pecinhas ou levar os pequenos em um parque, é preciso algo maior que dê condições para que as crianças, mesmo em diferentes culturas, tenham a capacidade de recriar e significar o mundo ao seu redor a partir do seu poder de imaginação e criatividade. Ela irá observar, questionar, levantar hipóteses, concluir, fazer julgamentos e assimilar valores, construirá conhecimentos e se apropriará do conhecimento sistematizado por meio da ação e nas interações com o mundo físico e social.

O protagonismo infantil deve possibilitar às crianças pensar e agir com autonomia e liberdade para se expressar, constituindo a sua percepção a partir da experiência sobre e com o mundo. Nesta perspectiva, Sarmento e outros autores afirmam que:

A construção dos direitos participativos das crianças nos seus contextos de ação constitui um ponto modal da afirmação do reconhecimento da sua competência social. Nesse sentido, ouvir a voz das crianças no interior das instituições não constitui apenas um princípio metodológico da ação adulta, mas uma condição política, através da qual se estabelece um diálogo intergeracional de partilha de poderes. (SARMENTO; SOARES; TOMÁS, s/d, p. 3)

Neste sentido, vale destacar que o professor deve sempre levar em consideração no seu planejamento e nas práticas pedagógicas os interesses, os questionamentos e as necessidades das crianças para o seu desenvolvimento integral. Ressaltamos que a importância das escolas de educação infantil vai muito além dos cuidados com o corpo e o bem estar, porque é nelas que as crianças se envolvem, interagem e agem com o meio, com o outro e consigo mesma para apreender sobre o mundo que a cerca.
Para que a criança seja protagonista enfatizamos a relevância do professor valorizar as crianças como ser único, conhecer as necessidades dos pequenos em suas diferentes etapas de desenvolvimento, respeitar seu tempo e suas necessidades e proporcionar momentos que levem em consideração as interações e brincadeiras. A criança como protagonista é ativa, autônoma e curiosa, o que faz com que ela busque constantemente respostas.

Com o desenvolvimento das competências linguísticas as crianças começam a se expressar de outras formas, momento esse que devemos valorizar a escuta, a musicalidade como forma de expressão, as brincadeiras cantadas, as vivências e é nesses momentos que as competências físicas, emocionais e sociais se integram, propiciando o desenvolvimento cognitivo.
Segundo Malaguzzi (1999), as crianças são potentes, ricas e com cem linguagens, cabendo ao professor fazer um trabalho mediador, relacionando-se tanto com as crianças quanto com suas famílias. Com isso, é essencial estarmos focalizados sobre as crianças e estarmos centrados nelas, mas não achamos que isso seja suficiente. Também consideramos que os professores e as famílias são centrais para a educação das crianças. Portanto, preferimos colocar todos os três componentes no centro de nosso interesse.

Na educação infantil as crianças adquirem capacidades de aprendizado, sociabilidade e afetividade que serão levadas para toda a vida. A escola, a família e a sociedade como um todo devem olhar para a criança como um sujeito histórico e de direitos. Nesse sentido, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil enfatizam que a criança “constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura”. Enfim, em um ambiente onde realmente se valoriza a criança como protagonista do seu aprendizado o professor não pode ficar “num barco conteudista” de atividades prontas sem pensar na criança. Ao contrário, espaço escolar deve oferecer condições e oportunidades para que a criança utilize seus conhecimentos prévios e construa novas aprendizagens, ela poderá construir e interiorizar regras, compartilhar, aprender a lidar com as frustrações, conquistar autonomia, ser autoconfiante, desenvolver a coordenação motora, e assim ser protagonista da sua história.

(*) Maria do Carmo Ferreira dos Santos Silva, Carla Andressa Santos Muniz e Marta de Almeida Pestana Pereira são professoras da Educação Infantil na UMEI Monteiro Lobato

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