Além de Emanuel Pinheiro, sua esposa Márcia Kuhn Pinheiro e secretários estão sendo investigados e tiveram bens bloqueados pela Justiça (Foto – Assessoria)

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) foi afastado do cargo na manhã de ontem (19) por força de uma decisão judicial. Ele foi alvo da Operação Capistrum, palavra que vem do Latim e significa “cabresto”, que investiga a existência de uma suposta organização criminosa montada dentro da prefeitura da capital que teria se utilizado de recursos destinados para a área da saúde e que teria contratado mais de três mil servidores temporários como pagamento de compromissos políticos, principalmente com vereadores.

Emanuel teve sua casa e gabinete na prefeitura vasculhados pela polícia, que cumpriu mandado de busca e apreensão e de sequestro de bens até o valor de R$ 16 milhões.

Além do prefeito, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de apreensão de bens contra a primeira-dama Márcia Aparecida Kuhn Pinheiro, o seu chefe de gabinete, Antônio Monreal Neto, que foi preso preventivamente para não atrapalhar as investigações, o ex-coordenador de Gestão de Pessoas da Secretaria Municipal de Saúde, Ricardo Aparecido Ribeiro, além da secretária-adjunta de Governo e Assuntos Estratégicos, Ivone de Souza.

 

 

————  CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE  ————
————————————————————————————

 

 

Eles são acusados de estarem envolvidos em crimes de formação de organização criminosa, prevaricação e obstrução da Justiça.
De acordo com o apurado pelas investigações, Emanuel, a primeira-dama e os servidores teriam usado recursos da Secretaria Municipal de Saúde para contratar mais de 3 mil servidores temporários, inclusive pagando um bônus, conhecido como “Prêmio Saúde”, de R$ 5 mil para muitos deles, como forma de pagamento de compromissos políticos, principalmente com vereadores.

A decisão judicial que afastou o prefeito da capital foi do desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Luiz Ferreira da Silva, que concluiu que o gestor da capital fazia as contratações como forma de pagar pelo apoio político.

“Depreende-se que o investigado Emanuel Pinheiro estaria fazendo, em tese, da contratação temporária como o principal meio de admissão de servidores na Secretaria de Saúde Cuiabá, com o intuito de conseguir apoio político dentro da Câmara Municipal de Cuiabá”, disse o magistrado em trecho de sua decisão.

“É imperioso reconhecer que existem elementos indicativos da existência da prática, em tese, de crime por parte do prefeito Emanuel Pinheiro e de seu grupo”, complementou o desembargador em outro trecho.
Segundo o apurado no Portal Transparência da própria prefeitura de Cuiabá, dados de setembro último mostram que a Secretaria de Saúde de Cuiabá tinha um quadro de funcionários de 6.696 servidores, dos quais 3.565 deles, ou 53,23% do total seriam contratos temporários.

VICE TAMBÉM É INVESTIGADO
Com o titular fora do cargo, quem assume a prefeitura é o vice-prefeito, José Roberto Stopa (PV), que também responde ações na Justiça cível e criminal por suspeita de fraudes em licitações na extinta Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, que era comandada pelo vice-prefeito.
Um contrato no valor de R$ 48 milhões assinado por Stopa também é investigado pelo Ministério Público na Operação Sócio Oculto.

COMISSÃO PROCESSANTE
Além de estar enrolado com a Justiça, Emanuel Pinheiro também deverá enfrentar dificuldades políticas para conseguir a recondução ao cargo, já que o vereador Diego Guimarães (Cidadania) articula assinaturas e deve apresentar um requerimento pela abertura de uma Comissão Processante que pode até cassar seu mandato.
Para tanto, ele precisaria da assinatura de pelo menos 17 vereadores, ou dois terços do total de 25, para a instalação da Comissão.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui