No dia 17 de setembro último, a Polícia Civil desencadeou a operação “Flor do Vale”, quando foi cumprido mandado de busca e apreensão na sede do escritório do acusado, em Rondonópolis (Foto – Polícia Civil de MT)

O desembargador Gilberto Giraldelli, da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou pedido de habeas corpus da defesa do contador João Fernandes Zuffo, que pretendia reverter mandado de prisão temporária concedido pela Justiça em 18 de agosto. O empresário teve a prisão temporária decretada em função das investigações do assassinato do advogado João Anaides Cabral Netto, 49 anos, ocorrido no mês de julho deste ano, em Juscimeira.

Na decisão, a defesa de Zuffo, que segundo a Polícia Civil se encontra foragido até o momento, solicitou a reversão da prisão temporária alegando que o empresário tem residência fixa e não tem histórico de envolvimento com crimes. No entanto, o desembargador entendeu que a prisão deve ser mantida, entre outros fatores, porque o contador não estaria detido, e a medida seria necessária para resguardar as investigações atualmente em andamento.

 

 

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De acordo com o desembargador, existe “forte indicativo de que, na contramão do que tentam incutir os causídicos, o favorecido nessa ordem vem buscando se esquivar de eventual responsabilização criminal, tanto que não foi encontrado em nenhum de seus endereços quando do cumprimento dos mandados de busca e apreensão no dia 17/09/2021; o que justifica, ainda com mais razão, a manutenção do ergástulo como forma de resguardar a regularidade das investigações atualmente em curso, sendo irrelevante, por ora, eventuais predicados pessoais abonatórios supostamente ostentados pelo agente”, decidiu Giraldelli.

ENTENDA O CASO
Zuffo é investigado por envolvimento no latrocínio do advogado e está foragido desde 17 de setembro quando a Polícia Civil desencadeou a Operação Flor do Vale. Na ocasião, o delegado de Juscimeira, Ricardo de Oliveira Franco, apontou que Zuffo é investigado como líder de um grupo criminoso que cometeu diversos roubos na região, entre eles o que terminou com o latrocínio do advogado João Anaides.

O delegado explicou que as provas produzidas e indícios reunidos no inquérito demonstram a liderança do contador no planejamento e execução de diversos crimes patrimoniais ocorridos na região. Ele é acusado de planejar, apontar e indicar aos comparsas do grupo criminoso os lugares para executar os roubos, entre eles o que ocorreu no condomínio de chácaras, onde três propriedades foram alvos do grupo e em uma delas o advogado João Anaides foi morto.

O contador João Zuffo tem uma chácara no mesmo condomínio onde ocorreu o latrocínio e na data ele estava na propriedade, onde aguardava, segundo a polícia, a conclusão do roubo e se passava também por vítima. O delegado informou ainda que, no decorrer da apuração para esclarecer o latrocínio, a Polícia Civil chegou a outros dois crimes possivelmente cometidos pelo mesmo grupo. O roubo de um veículo em Cuiabá e outro executado no mês de abril deste ano, em Juscimeira.

De acordo com a polícia, as investigações identificaram o envolvimento de oito pessoas no latrocínio do advogado. O grupo invadiu o condomínio de chácaras Flor do Vale, roubou algumas propriedades e na última delas, em que estava a vítima, amarrou as pessoas que estavam na casa.

O advogado João Anaides e mais uma vítima do assalto foram amarradas separadamente em um banheiro. Os suspeitos começaram a subtrair objetos pessoais das vítimas e logo em seguida foi ouvido um disparo de arma de fogo vindo do banheiro. A polícia não deixou claro sobre o que levou o grupo a matar o advogado.

Uma vítima que estava trancada no banheiro junto com o advogado relatou que um dos suspeitos arrombou a porta e efetuou um disparo na cabeça de João Anaides. Após o disparo, os criminosos fugiram do local levando duas camionetes, uma delas, do advogado.

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