(*) by Jerry T. Mill

Regra geral, o ensino e o aprendizado de um (novo) idioma requerem de professores e de alunos, no mínimo, três coisas em especial: curiosidade, paciência e sacrifício. Mas não necessariamente nesta ordem, é claro. Na verdade, nem sempre a indiferença, a impetuosidade e a diversão não são bem-vindas. Ao contrário! Mas se faz necessário lembrar (e relembrar) aqui e ali que há um ônus a ser considerado, e que, por diversas vezes, não temos como evitar o clássico “no pain, no gain”.

Em outras palavras, no (longo e exigente) processo de ensino e aprendizagem de línguas, nem todos aqueles que se dizem interessados conseguem manter a curiosidade, a paciência e o sacrifício no nível mínimo e/ou ideal para chegar ao objetivo final: ser fluente. Esse fenômeno acontece com pessoas de todas as idades, que preferem atribuir a fatores externos a explicação para a sua limitação linguística. Poucos são aqueles que assumem os seus erros, ignoram as possíveis distrações e conservam as suas prioridades ao longo do caminho rumo ao conhecimento.
Para mim, é muito mais do que aparente o fato de que há um quê de egoísmo e inocência na maneira como os nossos aprendizes se relacionam com a língua inglesa no Brasil. Eu digo isso porque é generalizado o pensamento de que nós precisamos saber falar o idioma bretão com o máximo de perfeição, apesar das evidentes lacunas que apresentamos quando nos expressamos de forma oral e escrita no nosso próprio idioma!

É nesse contexto que não somente a nossa pronúncia, entonação, dicção e velocidade ao falar podem (e devem!) se confundir com a nossa coerência, coesão e concisão ao escrever. Em síntese, quando isso ocorre, eis uma prova irrefutável de que somos efetivamente proficientes e fluentes no nosso próprio idioma. Esta é, por assim dizer, a nossa obrigação como cidadãos dessa terra.

Por outro lado, eu encaro a oportunidade de aprender outros idiomas (e o inglês, em especial) como um direito – que não é adequadamente assegurado pelos governos municipal, estadual ou federal, ressalte-se. Daí o porquê do fenômeno da proliferação de escolas de idiomas (ou language schools) por todo o território nacional. Este é um fruto amargo que tem origem na persistente incompetência governamental no campo da Educação no país, de norte a sul. Algo que costuma impressionar (negativamente, lógico!) os estrangeiros que ainda se aventuram por aqui.

Agora, resta a outra parte da prosa: o interlocutor, a pessoa ou as pessoas com quem estamos conversando ou interagindo, em português ou inglês. Entenda: não basta apenas você saber falar; é preciso saber ouvir. De modo similar, não basta apenas você saber ler; é preciso saber escrever. Ser entendido é apenas uma parte do processo de interação, pois é preciso entender o que o outro fala e escreve também, a fim de fazer da conversa algo, no mínimo, interessante para os dois lados.

E, atenção, muita atenção, dear reader: uma coisa é falar em português ou inglês com brasileiro; falar com estrangeiro (especialmente se ele for um nativo) é outra história. Sendo assim, para a sua informação, mais de um terço do mundo fala inglês como primeira ou segunda língua. O que equivale a cerca de 70 nações, dentre as quais estão a Inglaterra e os Estados Unidos da América, ofcoursemente. Mas a língua inglesa não se resume somente a essas duas vertentes, inglesa e americana. Canadenses, australianos, irlandeses, escoceses, neozelandeses, indianos, sul-africanos, nigerianos, camaroneses e cingapurianos, dentre outros povos, também entram nessa lista, da qual o Brasil não faz parte por ter o inglês ainda como uma língua estrangeira.

Isso, por si só, não é de todo mal, mas cria um certo revival do tal “complexo de vira-latas” (cunhado por Nelson Rodrigues) dentre aqueles Brazilians que, cedo ou tarde, se metem a ensinar ou aprender essa tal de English language neste pedacinho de mundo que outrora nós mesmos chamávamos de Brazil (com ‘z’, babe!).

(*) JERRY T. MILL é presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras) e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis.

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