A Praça da Saudade, localizada na região central urbana de Rondonópolis, MT é um Bem Patrimonial de Natureza Material que deve ser preservado; porém, em virtude das memórias que os moradores guardam do cemitério que lhe deu origem e das vivências no local após tornar-se Praça, é também um relevante Bem Cultural Imaterial.

A Praça da Saudade é contornada pelas ruas Augusto de Moraes e José Barriga, bem como, Av. Rui Barbosa e a Av. Bandeirantes, esta última é a estrada velha, atual MT-130, que segue até o município de Poxoréu.
Para pensar a história da Praça da Saudade, pesquisei documentos no site da Câmara Municipal de Rondonópolis, sendo eles: A Resolução Legislativa 120/1979; A Lei Municipal Ordinária 676/1979 e o Decreto Executivo 7414/2014. O interessante é que esse material específica o início da construção da Praça da Saudade, mas não há registros de seu término.

Observei na documentação que o local foi um cemitério do município de Rondonópolis até a década de 1970 quando teve início a construção da Praça da Saudade. Outro detalhe importante é que na Lei Municipal Ordinária 676/1979 é determinada a instalação de um busto em homenagem ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, no entanto, o busto que se encontra na Praça da Saudade não é o dele. O homenageado em questão é o pioneiro José Francisco Rodrigues, conhecido como “Zé Barriga”. Então indaga-se: Quem foi José Barriga para tornar-se nome de rua e ser homenageado com um busto na Praça da Saudade? Constata-se que muito ainda há por se pesquisar.

O cemitério passou por uma completa mudança durante a gestão do prefeito Dr. Walter de Sousa Ulysséa que além de ter alterado o espaço físico, tornando-o Praça, mudou também a percepção de seus moradores mais próximos. Assim, volto a enfatizar a importância da Praça da Saudade enquanto um Bem Cultural visto que o “Lugar” nas duas temporalidades remete a incontáveis memórias dos moradores da cidade, tais como aquelas compartilhadas espontaneamente no grupo de Facebook “Rondonópolis MT de antigamente”, onde encontro uma fotografia do antigo cemitério postada por Alex Sandre.

É apaixonante ler cada um dos comentários dos pioneiros, bem como as gerações seguintes que lembram ou possuem as narrativas de histórias contadas pelos mais velhos nos velórios, nos enterros e também sobre o processo de construção, onde os maquinários retiravam ossos humanos e as pessoas em seu entorno viam todo esse cenário. Ao total a publicação contou com 192 curtidas, 82 respostas – até a presente pesquisa – e mais de 30 compartilhamentos.

Esses comentários são muito importantes, principalmente, para a Secretaria de Cultura de Rondonópolis que pode entrevistar esses moradores, sendo possível produzir um material a partir da história oral, fotografias e outros documentos que sustentam os argumentos para tornar a Praça da Saudade, antigo cemitério da cidade, Patrimônio Cultural Municipal a ser preservado em virtude de seu valor histórico.

Escrevo este artigo com objetivo de solicitar a Secretaria de Cultura, aos vereadores, Prefeito e Conselho Municipal de Políticas Culturais de Rondonópolis que façam o Tombamento Municipal da Praça da Saudade e das outras Praças da cidade, visto que é uma estratégia possível para a conservação da memória desses espaços públicos, como ocorreu com o Casario, sendo este transformado em Patrimônio Histórico e Cultural do município.

Rondonópolis precisa urgentemente de uma Política para o Patrimônio Histórico e Cultural, lembrando que em nível Nacional as orientações para o Tombamento de um Bem Cultural é da década de 1930; me refiro ao Decreto Lei Nº 25, de 30 de Novembro de 1937, sendo que este e outros compõem a legislação nacional e, orientam as Políticas Públicas de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural dos Estados e dos Municípios do Brasil.

Portanto, são esses processos administrativos e respectivos órgãos que são capazes de tombar enquanto patrimônio cultural a atual Praça da Saudade. Como exposto acima, os comentários das memórias dos antigos moradores do município de Rondonópolis são extremamente importantes para se pensar a História local da Praça da Saudade e, com isso, como ocorreu também com o Casario depois de tombado poderemos observar uma construção maior de trabalhos voltados para esse bem tombado.

(*) João Vitor Oliveira Silva, estudante de Licenciatura em História na Universidade Federal de Rondonópolis-UFR

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