(*) Jorge Manoel

A realidade pode não ser realmente real.
Se for para fulano pode não ser para sicrano
Talvez não que seja um mero engano
É que ele viu o que queria ver ou nada viu!
O outro observou algo diferente do mesmo.
Que coisa mais estrambótica isso de realidade!
Diz-se de algo que é ou que parece ser e não é.
Ou que talvez não sendo pode ser inventado
Desde que criado e na mente disseminado
Um que opina sobre e outro que fica calado
Ainda têm aqueles que querem impor
Assim, passam a colorir e florir para iludir
E o bem torna-se excessivamente mal
O que era ruim já não é tanto assim
Ecoando a expressão: ‘fale mal, mas fale de mim’
Ou seja, sendo lembrado é estar no mercado
Na memória coletiva guardado e arquivado
Daí surge aquela nuvem de testemunhas inúteis
fazendo alguns motins sem sentido e sem fins
Transformando o importante em algo banal
Então, dizemos com certo tom de autoridade
Agora podemos afirmar que isso é realidade.
Pouco tempo depois esquecemos ou substituímos
E aquilo que foi, de certa forma, pintado e colorido
Passa de realidade a algo totalmente esquecido.

(*) Jorge Manoel é jornalista, professor, intérprete de libras e poeta

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