(*) Isabel Cristina
(*) Marta Chrislainy

Sabe se que a educação infantil é uma etapa fundamental do desenvolvimento da criança. É na educação infantil que a criança recebe vários estímulos e inicia a construção de seu processo de aprendizagem. Nesta fase, a criança manuseia vários portadores de textos, brinca com os sons das palavras por meio da ludicidade, relaciona com seus pares nas brincadeiras de faz de conta, houve e conta histórias, entre outros.

Assim, quando discutimos sobre o processo de alfabetização, logo nos vem ao pensamento “a leitura e escrita”, todavia sabemos que esse processo vai muito além da leitura mecanizada e da escrita sistemática, sendo uma situação que acontece durante grande parte de nossa vida, pois alfabetização não é um processo baseado em perceber e memorizar, para aprender a ler e escrever, a criança precisa construir um conhecimento de natureza conceitual, ou seja ela precisa saber o que é a escrita, mas também de que forma a ela representa graficamente a linguagem.

No Brasil muito se estuda e discute sobre alfabetização, letramento, consciência fonológica, em que os estudiosos da área trazem linhas teóricas e metodológicas para que os professores conheçam, estudem e desenvolvam com suas crianças no ambiente escolar. A alfabetização está associada ao processo de leitura e escrita, o letramento é uma aquisição de um sistema de escrita, fenômeno social, com foco nos aspectos sócio- histórico da aquisição da escrita. A consciência fonológica é conhecimento que o falante precisa ter sobre a organização da sonoridade da fala expressa nas palavras quando são pronunciadas, sabendo-se que cada palavra é formada por sílabas, e as sílabas são formadas por sons. De acordo com Capovilla (2010), a consciência fonológica é uma habilidade metalinguística, que inclui a identificação e a manipulação intencional de unidades de linguagem oral, tais como palavras, sílabas, aliterações e rimas. A medida que a criança adquire o conhecimento alfabético, isto é, identifica o nome das letras, seus valores fonológicos e suas formas, emerge a consciência fonológica. (ADAMS et al.,2005;Capovilla a.; Capovilla, F.; 2000).

Nesse contexto, discorreremos sobre um dos processos cognitivos que contribuem para o momento da alfabetização, que é o trabalho com a consciência fonológica. Ela não se resume a ficar segmentando e repetindo palavras, não é sinônimo de método fônico e sim a capacidade de reconhecer os sons individuais que compõem as palavras.

Dando continuidade ao nosso diálogo, precisamos conhecer um pouco sobre metacognição. Trata-se de uma habilidade de aprender como nós mesmos aprendemos e tornar isso um processo consciente. Agora iremos para o conceito de consciência metalinguística, que é a capacidade de refletir e analisar intencionalmente sobre língua. Um exemplo, a criança aprende a falar sem conhecer as unidades linguísticas (letras, palavras), todavia com a escrita acontece de modo diferente, por isso é importante conhecer e refletir sobre a linguagem. Assim como diz Magda Soares (2016), para aprender a ler e escrever é necessário que a criança tome consciência das relações entre sons da fala e sua representação gráfica. Com isso antes de adquirir a consciência de fonemas, a criança precisa estar familiarizada com os sons da fala, para que ela possa manipulá-los e convertê-los em escrita.

O processo de alfabetização começa na educação infantil com atividades dinâmicas e lúdicas e no primeiro ano do ensino fundamental inicia o trabalho propriamente com a consciência silábica. Um exemplo, se você quer ensinar a criança a escrever “borboleta” entregando para ela a palavra por escrito, não é bom começo. O primeiro processo é fazê-la entender a palavra “borboleta”, como? O professor usando a imaginação, pode falar pausadamente enquanto bate palma ou dar pulos, fazendo a criança compreender que a palavra tem uma representação fonológica.

Encerramos, dizendo que há vários caminhos para que o processo de alfabetização aconteça, compreendemos que ela precisa ser gradual, contínua e que respeite as especificidades e necessidades das crianças. O professor como agente mediador dessa ação deve sempre está buscando, estudando e pesquisando métodos, teorias para que esse processo aconteça de forma significativa e prazerosa para o educando, pois entendemos que o importante é que ao final do processo o objetivo seja atingido: a alfabetização, com escrita competente e leitura com interpretação do texto lido.

(*) Isabel Cristina Especial Bispo dos Santos Fernandes, graduada em Pedagogia com ênfase em Educação Especial (Faculdade Integrada Campo Salles – São Paulo) e pós graduada em Psicopedagogia, Educação Infantil e Educação Especial. Professora da Rede Municipal de Educação de Rondonópolis e Rede Estadual de Educação de Mato Grosso.

(*) Marta Chrislainy Santos Fernandes, graduada em Pedagogia (Universidade Bandeirantes – São Paulo), pós graduada em Educação Ambiental e Atendimento Educacional Especializado. Professora da Rede Municipal de Educação de Rondonópolis e Rede Estadual de Educação de Mato Grosso.

Referências bibliográficas
CAPOVILLA, A. G. S.; CAPOVILLA, F. C. Efeitos do treino de consciência fonológica em crianças com baixo nível sócio-econômico. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 13, n.1, p. 7-24, 2000.
PEREIRA. Juliana. As relações entre consciência fonológica e alfabetização. Outubro de 2016
SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016.

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