Ação contra o tráfico de pessoas em Rondonópolis contou com a parceria de várias entidades e instituições (Foto – Divulgação)

Devido a sua localização geográfica estratégica, Rondonópolis está entre os municípios com maior incidência de trabalho escravo e tráfico de pessoas no âmbito estadual, conforme dados do Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Estado de Mato Grosso (Cetrap-MT). Pensando nisso, a cidade sediou nesta sexta-feira (30/7) uma mobilização em alusão ao Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, cuja data é justamente o dia 30 de julho.

A ação local ocorreu no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-364/163, na saída para Cuiabá, sendo realizada pelo Cetrap-MT, em parceria com a Pastoral da Mulher Marginalizada, Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros e Polícia Militar (PM), promovendo uma panfletagem de conscientização junto aos motoristas.

 

 

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A campanha ocorre sob o tema Coração Azul, alertando que esse tipo de crime ocorre quando seres humanos são tratados como mercadorias, roubando-lhes a liberdade, ludibriando-lhes para que, iludidos, voluntariamente se deixem levar a lugares onde, após a chegada, serão escravizados, explorados sexualmente ou, mesmo, submetidos à remoção de órgãos para venda.

Assim, Luís Flávio Cavalcante Itacarambi, representante da Pastoral da Mulher Marginalizada e agente do Cetrap-MT, atesta que “esta é uma ação para conscientizar e chamar toda população, principalmente na rodovia, onde é o principal campo do tráfico de pessoas, sobre a importância de combater e ajudar a combater esse câncer que está implantado na nossa sociedade”.

Segundo o Cetrap, a BR-163 concentra em Mato Grosso o maior número de pontos vulneráveis para o tráfico para fins de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes. Ao todo, foram mapeados 65 pontos de risco para esse tipo de exploração no estado.

“Rondonópolis é rota do tráfico nacional e internacional de pessoas. Por isso, escolhemos fazer a ação na estrada porque é pelas rodovias que a maioria das pessoas traficadas são transportadas. É uma forma de conscientizar as pessoas sobre esse tipo de crime. Na maioria das vezes, ele é invisível aos nossos olhos, de difícil identificação e chega a ser tratado como algo natural pelas pessoas”, explica a técnica do Programa de Combate às Violências do Departamento de Ações Programáticas da SMS, a assistente social Edna Rodrigues de Oliveira Soares.

Em Rondonópolis, Edna Rodrigues atesta que esse tipo de crime pode ocorrer, por exemplo, com meninos que são convidados para jogar futebol e com meninas convidadas para fazer trabalho de modelo fora da cidade. “A sedução para atrair a vítima se dá sempre em cima de uma mentira, como o trabalho de modelo, de jogador de futebol ou qualquer outro que lhe dê uma renda difícil dela conseguir onde vive. Então, o aliciador mexe com os sonhos daquele que busca envolver, principalmente de quem está em situação de vulnerabilidade social”, alerta a assistente social, apontando que uma preocupação a mais é que a pandemia aumenta o alerta para o tráfico de pessoas, considerando a queda da renda familiar e diminuição de empregos.

Nesse contexto, o chefe da Delegacia de Polícia Rodoviária Federal de Rondonópolis, Donizete Aparecido Alves de Souza, atesta que a PRF promove diariamente nas rodovias um trabalho importante de abordagem, fiscalização e entrevistas, com os usuários das estradas, que pode auxiliar no combate ao tráfico de pessoas. “Temos um trabalho acompanhado de inteligência e equipes com expertise muito grande para fazer abordagens e verificar os tipos de usuários que estamos lidando”, aponta o chefe da delegacia. Assim, ele aponta que a PRF pretende intensificar o combate ao tráfico de pessoas, trabalhando com a visão de inibir crimes dessa natureza também. “Acreditamos que podemos formar policiais com expertise para poder fazer esse trabalho e identificar movimento de usuários suspeitos, reduzindo esse tipo de crime nas rodovias”, externou.

Entre os sinais de que uma pessoa está sendo induzida a consentir seu deslocamento para outro local sem perceber que está sendo alvo de um ardil ou, se já caiu no embuste, estão a exigência de entregar passaporte de viagem ou documentos na mão de terceiros e a omissão sobre o endereço onde deve se alojar, seja de casa ou do trabalho. Outro aspecto a desconfiar quando o indivíduo já foi enviado a outra cidade é o fato de nunca dar notícias ou falar pouco com seus familiares ou amigos.

Conforme o Protocolo de Palermo, que é o documento internacional que dita diretrizes contra o crime organizado transnacional relativo à prevenção, repressão e punição do tráfico de pessoas, existem ainda outras formas de cooptar aqueles que devem ser traficados. Essa norma define o tráfico de pessoas como o recrutamento, transferência, alojamento, transporte ou acolhimento de pessoas por meio de ameaça, rapto ou até uso da força e coação.

Ao desconfiar de que alguém está nesse tipo de crime é preciso denunciar, ligando para o 190 da PM, ou para o 191 da PRF. Existe também o disque 100 do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e, em casos de mulheres vítimas de violência, há ainda o 180 da Central de Atendimento da Secretaria Nacional de Política para Mulheres.


A TRIBUNA
Registro de alguns dos envolvidos na campanha contra o tráfico de pessoas em Rondonópolis

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