Mesmo entendendo que a pandemia pegou a sociedade de surpresa e isso tende a ser uma dificuldade a mais na organização dos serviços a serem prestados, não é admissível que ocorram erros como o da estimativa da população a ser vacinada mostrado pelo A TRIBUNA na edição de sexta-feira (30). Não se pode admitir, pois o Ministério da Saúde conta com uma estrutura imensa de servidores e dados que deveriam ser suficientes para garantir maior exatidão nas informações geradas.

O erro na estimativa da população a ser vacinada com mais de 18 anos em Rondonópolis, em mais de 31 mil habitantes, traz prejuízos para a cidade, que inclusive vinha recebendo doses de vacina baseadas no percentual da população que deveria ser imunizada e que até semana passada era bem menor que o atual. Uma campanha de vacinação nacional como a que está sendo realizada no país não pode ser estruturada em dados subestimados da população. Como que o Brasil saberá que atingiu a imunidade coletiva para poder finalmente conter a pandemia se não consegue estimar corretamente o número de pessoas que devem se vacinar?

O problema foi local, mas também é nacional. O erro na estimativa da população de Rondonópolis que fez o percentual de vacinados com a primeira dose cair de cerca de 80% para cerca de 65% se repetiu em vários municípios. E são esses dados que vão basear as medidas a serem adotadas com relação ao combate da pandemia. É o percentual de imunizados que dará base para os municípios flexibilizarem medidas, desobrigarem o uso de máscara, entre outros. Portanto, o dado precisa ser o mais próximo possível do real. Caso contrário, medidas equivocadas podem ser adotadas.

Sabe-se que o Ministério da Saúde precisa trabalhar com uma estimativa a partir de um censo realizado há 11 anos, ainda em 2010, e isso é um dos motivos que pode ocasionar as estimativas erradas. Mas não se pode esquecer que se o censo ainda é aquele de 2010 foi por uma decisão do próprio Governo Federal, que o adiou por dois anos seguidos (2020 e 2021). Estatísticas da população são importantes e precisam ser levadas a sério. Daqui para frente o que se espera é os dados estejam mais perto de realidade, já que a Campanha Nacional de Vacinação acontece há mais de seis meses. E nesse tempo, acredita-se que o governo já tenha percebido e corrigido eventuais erros.

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