27/07/2021 – Nº 630 – Ano 15

A pandemia acelerou várias coisas, escancarou algumas e enterrou outras. Em relação ao trabalho, tem sido um tsunami. Muita coisa mudou e está mudando, tanto para as empresas como para os profissionais. E é aí que estão duas grandes questões: desconexão e velocidade.

Poucas vezes em minha vida profissional tenho percebido tanta desconexão entre aquilo que as empresas precisam, os gestores buscam e os profissionais oferecem. Está havendo um descompasso não percebido por muitos gestores e tampouco pelos profissionais.

De um lado, o mercado e as necessidades das empresas mudaram. Ocorre que muito gestor ainda está contratando como antes, buscando como antes e querendo oferecer o que oferecia antes. A régua subiu não foi apenas para os profissionais, para as empresas também.
As empresas que não perceberam isso, estão tendo mais dificuldades do que as naturais que já existiam. Buscam e não encontram. Quando encontram, demoram para efetivar e perdem porque outra empresa já contratou, pagou mais, ofereceu melhor ambiente de trabalho ou um modus operandi mais atrativo.

Faltam agilidade e assertividade para muitas empresas. Principalmente assertividade. Mas na concepção correta da palavra: relacionado a comunicar com clareza o que busca, no que acredita, o que defende e o que oferece. Ser enfático e amigável.

Podemos dizer que empatia empresarial e perspectivas reais de crescimento e desenvolvimento, são aspectos que ficaram muito evidentes na pós pandemia. Salário é um componente fundamental e associado aos demais itens. Não é menos importante. É tão importante quanto, mas só ele já não diverte mais ninguém.

De outro lado, os profissionais também têm sofrido muito, justamente porque há muitas vagas, mas a peneira é estreita e a luta é inglória para vários. Do mesmo modo que muitas empresas não perceberam as mudanças esses profissionais ainda buscam se colocar do mesmo modo de antes da pandemia.

Ocorre que agora, com a régua mais alta e novas competências requeridas, as deficiências profissionais ficaram ainda mais evidentes. A distância entre os perfis e as oportunidades efetivas criou um vácuo que levará algum tempo para ser preenchido. Lamentavelmente muitos (sim, muitos) ainda tem dificuldade para fazer um simples currículo ou gravar um vídeo falando de si.

Não importa qual a função que você busca ou qual área de atuação que tenha interesse, quem não entender de gente, desenvolver habilidades interpessoais, criatividade e agilidade tecnológica terá sérias dificuldades para se manter ou se recolocar no mercado. Além disso, conhecimentos básicos sobre marketing e negociação tornaram-se grandes diferenciais.
Mas tem um item em particular que provavelmente suplanta tudo isso: a capacidade de aprendizagem. Quem tem baixa capacidade ou às vezes, falta interesse em aprender, definitivamente está fora do jogo. Vai ficar rodando pelas candidaturas e eventualmente nas entrevistas. Não conseguirá se sustentar.

Ah, mas eu quero ser empreendedor. Lamento em dizer que aí sim, essas características serão fundamentais. Ainda mais importantes e decisivas.
Por fim, muitas empresas acabam contratando apenas quem conseguem e não quem precisariam, e de outro lado, muitos profissionais amargam o desemprego, aceitam posições medíocres ou em empresas rasas, justamente por não conseguirem se adaptar a essas novas realidades.
Ainda há tempo, mas acelere, o jogo está sendo jogado. Não desperdice os lances.

Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor e articulista – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer – Originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

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