Uma das formas mais usadas pelos golpistas para o estelionato virtual é a clonagem e a criação de perfis fakes em aplicativos de mensagens (Foto – Tânia Rego/Agência Brasil)

A pandemia trouxe várias mudanças para a sociedade. Uma delas foi o aumento na utilização por parte da população da internet, inclusive para movimentações financeiras. E se os cidadãos de bem passaram a usar mais os meios digitais, criminosos também resolveram se aproveitar da situação e passaram a aplicar um número cada vez maior de golpes utilizando as ferramentas digitais. Uma das formas mais usadas pelos golpistas para o estelionato virtual é a clonagem e a criação de perfis fakes em aplicativos de mensagens.

Somente nesta semana, a reportagem do A TRIBUNA recebeu vários relatos de pessoas que caíram em golpes por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp ou que passaram por tentativas de golpes. Em um dos casos relatados, o golpista utilizou um perfil fake do WhatsApp, criado com a fotografia de um familiar da vítima.

 

 

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Por meio do perfil fake, o golpista entrou em contato e alegando estar com problemas de sinal de internet e precisando urgentemente fazer uma transferência bancária, tentou convencer a vítima que era sua filha por meio de mensagem via aplicativo. O golpe não foi consumado somente porque a vítima desconfiada, fez perguntas pessoais que apenas a filha saberia responder e não obteve resposta.

Em outro caso, no entanto, a vítima fez a transferência de valores via PIX, pensando que estava enviando o dinheiro ao filho. O golpista agiu de maneira idêntica. Utilizou um perfil fake com a fotografia do filho da vítima e a convenceu de que necessitava da transferência com urgência.

Pouco tempo depois, contudo, a vítima descobriu se tratar de um golpe e, neste caso, precisou acionar a agência bancária para tentar bloquear o valor que havia sido transferido. Como a vítima agiu rapidamente, conseguiu reaver o dinheiro. Contudo, nem sempre as vítimas conseguem evitar prejuízos.

O titular da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), localizada em Cuiabá, Ruy Guilherme Peral da Silva, conversou com a reportagem do A TRIBUNA e explicou como os golpes acontecem e de que forma as pessoas podem se proteger para evitar cair em um estelionato virtual. Ele ressalta que realmente houve um aumento dos golpes via internet neste período de pandemia em função da utilização mais ampla dos meios virtuais pela população.

No caso dos golpes que usam aplicativos de mensagens, principalmente o WhatsApp, o delegado aponta dois tipos de ação dos criminosos. Em uma delas, o estelionato virtual ocorre por meio da clonagem do perfil do WhatsApp e na outra, com a criação de um perfil fake.

“No caso da clonagem, os golpistas instalam o aplicativo em um telefone e tentam vincular ao número da vítima. Neste caso, eles fazem o contato com a vítima via aplicativo e criam uma história fictícia para convencê-la a informar o código de seis dígitos que será enviado pela empresa WhatsApp por meio de mensagem de texto no celular da vítima. Se a pessoa fornecer o código, o aplicativo será clonado”, explica Ruy Guilherme.

O delegado destaca que, para obter o código, os golpistas se passam por policiais, inventam que são do Ministério da Saúde e precisam do código para agendar a vacinação da pessoa, dizem que a vítima recebeu um prêmio e precisa informar o código para que ela tenha acesso ao “presente”, dentre outras histórias para tentar convencer a pessoa a passar as informações necessárias. Depois da clonagem, o golpista entra em contato geralmente com familiares e amigos da vítima, inventando uma história e tentando convencê-los a fazer transferências bancárias via PIX, TED ou DOC ou ainda a pagar boletos.

Nestes casos, para não cair no golpe de estelionato virtual, Ruy Guilherme orienta as pessoas, para primeiro, não informarem o código de seis dígitos para qualquer pessoa, segundo, ativarem a verificação em duas etapas do aplicativo de mensagens, o que irá dificultar a clonagem. “Para quem já usa a verificação em duas etapas é preciso também estar atento. Temos casos em que os golpistas entram em contato e simulam ser da empresa WhatsApp, dizendo que a pessoa teve o aplicativo clonado e solicitam que a pessoa desative a verificação em duas etapas”, acrescenta.

Já no golpe utilizando o perfil fake, o delegado explica que os criminosos usam uma fotografia da pessoa e criam um perfil falso. Eles entram então em contato com familiares ou amigos, dizem que estão com um número novo e depois de um tempo, voltam a conversar com a vítima alegando que estão sem sinal de internet ou com outro problema que os impeça de fazer pagamentos urgentes e pedem para que a vítima faça a transferência bancária.

“Percebemos que as principais vítimas desse golpe são os pais. O golpista cria um perfil fake do filho ou filha e entra em contato dizendo estar com um problema urgente e pede dinheiro. Para esses casos, orientamos que a pessoa ligue por meio convencional, jamais pelo aplicativo, e converse, tentando buscar informações que somente os filhos saberiam e observem se a voz é a mesma. Jamais faça qualquer pagamento sem antes verificar”.

1 COMENTÁRIO

  1. No Brasil esses e outros golpistas, ladrões, traficantes, estupradores, assassinos de aluguel, ladrões do colarinho branco (no casso o dinheiro destinado para combater o Covid), etc. precisam ser caçados a bala e por fim nessa corja do mal que tanto mal fazem à sociedade e ao Brasil. Cadeia não resolve o problema. O país inteiro sabe disso. Basta de hipocrisia e passar a mão na cabeça de quem não presta.

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