13/07/2021 – Nº 628 – Ano 15

Essa semana um robô de uma empresa de telefonia me ligou mas não conseguimos estabelecer comunicação suficiente para evoluir. A pergunta que ele me fazia para avançar na prosa requeria uma resposta do tipo sim ou não.

Eu necessitava de uma informação adicional para poder dizer uma das opções que o robô queria, mas para isso o robô precisaria fazer uma combinação e uma resposta adicional. Entramos em looping e não consegui saber e nem informar o que ele realmente precisava para avançar.
Mas isso me fez pensar num ponto importante na relação de humanos com humanos e obviamente de humanos com as máquinas: a capacidade de fazer perguntas.

Uma das grandes competências dos profissionais de destaque é exatamente essa. Talvez a mais importante capacidade do ser humano reside na sua habilidade em instigar os demais, fazendo perguntas ou dirimindo suas dúvidas.

Aliás, apenas somos capazes de perguntar sobre algo que já conhecemos ou sobre algum assunto que entendemos o suficiente para termos dúvidas, ou queremos saber mais. Por isso, uma das questões mais óbvias na escola é saber perguntar, e não responder, embora muitos façam cara de inteligente e permaneçam na ignorância.

Esse é um dos motivos pelos quais sempre instiguei minhas filhas a fazerem perguntas na escola, algo que aprendi com minha mãe que me ensinou a perguntar sempre e nunca vir para casa com dúvidas. Mas como fazer perguntas se não prestamos atenção? Então, por obviedade, eu precisava prestar atenção ao que os professores explicavam.
A espécie humana avançou graças a essa sua capacidade de questionar a si, a seus semelhantes e a tudo que envolvia o seu ambiente. Sem isso estaríamos até hoje pulando de galho em galho, no alto das árvores, sendo dominados por algum outro animal.

A nossa capacidade única e infinita de integrar e combinar perguntas, dúvidas e respostas ainda nos coloca até o momento à frente mesmo dos robôs mais avançados. Talvez por isso tenhamos ainda vida longa como seres inteligentes nesse planeta.

Por razões dessa natureza que os gestores, principalmente os líderes, precisam desenvolver e treinar a capacidade de fazer perguntas a seus subordinados, colegas e superiores. Essa habilidade é muito útil em várias circunstâncias no dia a dia profissional, e garanto, pessoal também.
São as perguntas com algum nível de inteligência que muitas vezes instigam e fazem nosso interlocutor avaliar posicionamentos ou imaginar alternativas. É uma forma de dirigir, questionando sem ofender os pontos de vista quase consolidados. Auxilia na mentoria e no coaching.
Pais que perguntam têm melhores relações com seus filhos e são capazes de auxiliar com mais eficácia. Apontar erros sempre é temeroso já que poucas vezes você sabe de todas as circunstâncias. Por consequência, perguntar sem pretensão de influenciar ou com interesse genuíno serve para aproximar e valorizar.

Perguntas e respostas também são a lógica do uso de robôs na comunicação com os humanos. A substituição de humanos por máquinas é uma atividade que vem de longa data, portanto não é novidade. Mas há algum tempo ela passou do uso mecânico para o uso da informação, e mais recentemente, da inteligência.

Mas essa ainda é uma tarefa complexa, já que a maioria dos robôs utilizados na comunicação com humanos, principalmente aqueles utilizados no telemarketing, por exemplo, conseguem fazer apenas as perguntas estabelecidas no seu algoritmo. Ainda não conseguem combinar dúvidas com respostas que não se encaixem exatamente como a resposta esperada, ou padrão.

Em alguns casos, os robôs são mais eficientes que os humanos médios, mas graças a nossa capacidade de abstrair e combinar realidades ainda levamos vantagens na maioria das situações, já que é requerida inteligência e não apenas informação.
Exercite seu cérebro a perguntar. A Humanidade agradece.
Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor e articulista – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer – Originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

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