15/06/2021 – Nº 624 – Ano 15

 

Você deve ter na sua lista de contatos de WhatsApp ao menos várias dezenas que desabilitaram a possibilidade de você saber se leram ou não suas mensagens. Inclusive, em alguns aparelhos, recentemente ainda se tornou possível desabilitar a confirmação de áudios. E há ainda as que tiram até o horário da última conferida no aplicativo.

Lógico que operacionalmente, da mesma forma que ao desligar as confirmações de leitura você impede que outras pessoas saibam quando você leu uma mensagem, você também não saberá quando os seus contatos leram as suas.

Profissionalmente contudo, é possível inferir algumas observações sobre esses comportamentos, que por obviedade não são conclusões absolutas, dado que sempre é importante saber respeitar as políticas e comportamentos pessoais de cada um.

Mas talvez você não tenha pensado nisso e podem melhorar sua forma de se comunicar com os seus stakeholders, sejam eles pessoais ou profissionais. Sempre vale a pena refletir sobre nossos comportamentos e as potenciais consequências.

Devemos lembrar que muitos de nós utilizam o celular tanto no ambiente empresarial, de modo profissional, como para seus assuntos pessoais, o que em alguns momentos pode até criar alguma confusão ou algum tipo de invasão de privacidade, se não for bem gerenciada.

Nesse ponto específico tenho um posicionamento simples a respeito: se você usa seu celular apenas para questões pessoais, é até aceitável você querer um certo distanciamento daquilo que você faz nessa relação. Não vejo grande problema em desabilitar as confirmações, já que diz respeito a sua individualidade e cada um gerencia ela do modo como achar mais conveniente. O eventual ônus é sobre as suas relações pessoais.

Mas caso contrário, se o número vinculado ao seu WhatsApp também é utilizado intensamente para atividades empresariais é interessante analisar alguns aspectos, já que nossos comportamentos podem contribuir para criar uma imagem muitas vezes diferente daquela que gostaríamos de deixar nas nossas relações de trabalho. Ou até dizer mais de nós do que imaginamos ou gostaríamos.

Primeiro devo lembrar que um dos principais ativos de qualquer profissional ou empresa na atualidade (e nunca isso foi tão valorizado como agora) está associada à transparência, a fluidez na comunicação, e por consequência, a confiança. Logo, antes de querer esconder algo, é importante avaliar quais as potenciais consequências profissionais dessa decisão.

Não estamos falando da possibilidade de alguém seguir ou monitorar os seus passos, mas apenas de facilitar a comunicação e de torná-la mais simples e franca. Pessoalmente não tenho nenhum problema, por exemplo, de que alguém saiba que eu li sua mensagem pela manhã e apenas respondê-la à tardinha ou mesmo no outro dia. Ou simplesmente não abri-la. Só isso já são formas de comunicação.

Muitas vezes imagino qual seria o real motivo de alguém se dar o trabalho de bloquear a indicação de visualização das mensagens? Independentemente de quais sejam, a intenção é de poder espiar suas mensagens sem ser detectado, e isso pode dizer muito sobre si.

Esse comportamento sozinho obviamente não define seu caráter, até porque algumas pessoas fazem isso por motivos banais, mas sempre penso que quem é seguro de si, das suas convicções e dos seus posicionamentos não precisa usar subterfúgios tecnológicos para se proteger, e estabelece uma comunicação genuína.

Talvez um “estou ocupado”, “não posso falar agora”, “em reunião”, “em viagem”, “olho amanhã” seja mais confiável do que fingir que não viu. Por isso é importante avaliar se realmente vale a pena ir na onda dos demais sem um motivo relevante, pois mesmo você sendo uma pessoa de comportamento reto, confiável e íntegro, talvez emita sinais em direção contrária.

Até a próxima.

 

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É empreendedor, Diretor da GoJob Brasil, business advisor, mentor e articulista – [email protected] – www.linkedin.com/in/elerihamer – Originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

 

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